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Rutger Hauer: como lágrimas na chuva

Ator de 'Blade Runner' morreu aos 75 anos, na sexta-feira 19, de causa não divulgada, na Holanda

Filho de um casal que trabalhava na preparação de atores, o holandês Rutger Hauer desde cedo teve contato com a profissão. Na juventude, contudo, o rapaz rebelde de cabelo platinado e olhos azuis penetrantes quase tomou outro rumo: tentou ser marinheiro. Arrependido, alegou problemas mentais para ser afastado pela Marinha de seu país. Ao abraçar finalmente a carreira nas telas, Hauer parecia ter encontrado um porto seguro no país natal: nos anos 70, quando protagonizou três filmes do diretor Paul Verhoeven, encaminhava-se para se tornar um ator de prestígio. Em 1981, fez sua primeira investida no cinema americano, com Falcões da Noite, estrelado por Sylvester Stallone. No ano seguinte, veio o papel que definiu sua carreira: o androide (ou replicante, termo usado no longa-metragem) Roy Batty, um assassino implacável que persegue o policial vivido por Harrison Ford em Blade Runner — O Caçador de Androides, de Ridley Scott. Filme “de culto” por excelência dos anos 80, Blade Runner deve muito de sua beleza ao inesquecível monólogo final desse vilão: todos os momentos extraordinários que viveu, diz Roy, estarão “perdidos no tempo como lágrimas na chuva”. Hauer colecionaria, a partir daí, uma série de outros vilões — o vampiro do filme adolescente Buffy, a Caça-Vampiros (1992), por exemplo —, mas nenhum tão memorável. Christopher Nolan brindou-o com um belo papel coadjuvante em Batman Begins (2005), e o ator plantou seus pés no florescente mundo das séries participando de produções como True Blood, da HBO. Morreu aos 75 anos, na sexta-feira 19, de causa não divulgada, na Holanda.


O jogo foi jogado

De oriental, Juarez Soares tinha apenas os olhos pequenos e puxados — mas isso bastou para que ganhasse o apelido de China, que o acompanhou na longa carreira de jornalista de esportes. Soares começou como narrador de rádio, em 1958, e passou pela Globo e pela Band, entre outras empresas. Criou bordões populares como “o jogo é jogado e o lambari é pescado”. Foi vereador em São Paulo. Morreu na terça-­feira 23, aos 78 anos, em decorrência de um câncer no reto.


O açougueiro de Pequim

A ordem de massacrar os manifestantes na Praça da Paz Celestial, em 4 de junho de 1989, veio dele, e por isso Li Peng, o primeiro-ministro que governou a China por dez anos (1988-1998), ficou conhecido como O Açougueiro de Pequim. O governo chinês contabiliza 300 mortos na repressão, mas o número exato (certamente maior) segue em discussão. Li Peng tentou se defender em Momento Crítico, livro publicado em 2010, acusando o legendário líder do Partido Comunista Chinês Deng Xiaoping de ser a verdadeira força por trás da chacina. Engenheiro hidrelétrico de formação, ele foi o propulsor do projeto da Hidrelétrica das Três Gargantas, uma das maiores do mundo. Morreu na segunda-feira 22, em Pequim, aos 90 anos, de causas não divulgadas.


O herdeiro da OAS

Neto de Antonio Carlos Magalhães e filho de um dos fundadores da OAS, empreiteira investigada pela Lava-­Jato, César Mata Pires Filho passou mal quando prestava depoimento ao juiz federal Luiz Antonio Bonat, em Curitiba, sobre suspeitas de propina na construção de uma sede baiana da Petrobras. Era um infarto. Pires Filho foi socorrido em Curitiba, no dia 8, e depois transferido para São Paulo, onde morreu, ao 41 anos, na quinta-feira 25.

Publicado em VEJA de 31 de julho de 2019, edição nº 2645