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Morre Li Peng, líder por trás do massacre da Praça da Paz Celestial

Ex-primeiro-ministro era visto como um linha-dura assumido responsável por ordenar o ataque contra as manifestações estudantis

O ex-primeiro-ministro chinês Li Peng, repudiado por ativistas de direitos humanos por seu papel no massacre da Praça da Paz Celestial em 1989, morreu aos 90 anos, na noite de segunda-feira 22, em Pequim, anunciou a agência de notícias Xinhua. De acordo com a mídia estatal, Li morreu após o tratamento malsucedido de uma doença, que não foi especificada.

Li Peng ficou conhecido como o Carniceiro de Pequim por sua atuação na repressão sangrenta contra manifestações pró-democracia lideradas por estudantes em 4 de junho de 1989. Assim como o então líder supremo Deng Xiaoping, Li era visto como um linha-dura assumido responsável por ordenar o ataque que acabou com semanas de passeatas de manifestantes no centro de Pequim.

Seu anúncio em rede nacional de TV sobre a adoção de uma lei marcial em partes de Pequim nas semanas que antecederam a entrada de tanques e soldados na praça para expulsar os manifestantes o tornou um dos rostos mais destacados de um massacre que continua a influenciar a percepção global da liderança do Partido Comunista da China.

O saldo de mortes comunicado pelas autoridades dias depois da repressão foi de cerca de 300, a maioria soldados. A morte de somente 23 estudantes foi confirmada. A China jamais forneceu uma cifra precisa, mas grupos de direitos humanos e testemunhas estimam milhares de mortos. O tema é um tabu no país.

A morte de Li ocorre no momento em que a China lida com uma crise política crescente em Hong Kong, território de controle chinês onde protestos violentos contra um projeto de lei de extradição representam o desafio popular mais sério ao governo de Pequim desde as manifestações na Praça da Paz Celestial.

Na terça-feira, 23, a Xinhua chamou Li, que foi premiê até 1998, de “experiente e leal soldado do comunismo, destacado revolucionário e estadista e notável líder do partido e do país”.

(Com Reuters)