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Sob panelaços, Bolsonaro volta a defender flexibilização em isolamento

Ao lado do novo ministro da Saúde, Nelson Teich, presidente disse esperar que economia volte à normalidade 'o mais breve possível'

Por João Pedroso de Campos Atualizado em 16 abr 2020, 18h18 - Publicado em 16 abr 2020, 17h35

Ao anunciar a demissão do agora ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e a sua substituição pelo oncologista Nelson Teich, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender nesta quinta-feira, 16, a flexibilização do isolamento social no país em meio à pandemia do novo coronavírus. Bolsonaro disse que a Covid-19 se transformou em uma “máquina de moer empregos” e que espera a volta da economia à normalidade “o mais breve possível”.

A divergência a respeito do isolamento horizontal, mais amplo, que leva ao fechamento de comércio e serviços, sem se limitar aos grupos de risco para a doença, foi o que desgastou a relação entre o presidente e Mandetta e levou à saída dele do cargo.

“O que eu conversei ao longo desse tempo com o oncologista Dr. Nelson foi fazer com que ele entendesse a situação como um todo, sem abandonar obviamente o principal interesse, a manutenção da vida, mas sem esquecer que ao lado temos outros problemas, como o desemprego, que cada vez mais vemos que são claros no nosso país. Junto com o vírus, veio uma máquina de moer empregos”, declarou Bolsonaro, que estava ao lado de Teich na coletiva de imprensa no Palácio do Planalto.

Insistindo no assunto, o presidente disse que “os mais necessitados não têm como ficar em casa sem buscar seu alimento”. “Nós nos preocupamos para que essa volta a normalidade chegue o mais breve possível”, afirmou o presidente, que disse ter conversado com o novo ministro sobre flexibilizar o isolamento social. “O que conversei com o doutor Nelson é que gradativamente temos que abrir o emprego no Brasil. Essa grande massa de humildes não tem como ficar em casa e, o que é pior, quando voltar não ter emprego”, afirmou.

Citando o auxílio emergencial de 600 reais pago pelo governo a trabalhadores informais, o presidente declarou ainda que sua gestão não tem como manter o benefício “por muito tempo”. “Já se gastou aproximadamente 600 bilhões de reais e podemos chegar a 1 trilhão. Sei e repito que a vida não tem preço, mas a economia o emprego têm que voltar a normalidade. Não o mais rápido possível, mas tem que começar a ser flexibilizado para que exatamente não venhamos a sofrer mais com isso. O governo não é uma fonte de socorro eterno”, completou.

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  • Em meio a uma queda de braço com governadores e prefeitos sobre as medidas de isolamento implementadas em estados e cidades a despeito de suas opiniões, Bolsonaro voltou a criticar os mandatários estaduais e municipais e afirmou que “exageros” não devem entrar na “conta” de seu governo.

    “Em nenhum momento fui consultado sobre medidas adotadas por grande parte dos governadores e prefeitos. O preço vai ser alto. Tinham que fazer alguma coisa? Tinham. Mas se, por ventura, exageraram, não bote essa conta não no governo federal, mas nas costas do nosso sofrido povo brasileiro”, declarou.

    Em crítica velada ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seu rival político, que cogitou ordenar a prisão de cidadãos que descumprissem o distanciamento social, Bolsonaro classificou a medida como um “excesso”. “Jamais eu mandaria minhas Forças Armadas prenderem quem estivesse na rua, jamais eu vou retirar o direito constitucional de ir e vir, seja qual for o cidadão.”

    Apesar das declarações do presidente, o novo ministro disse em seguida que não vai mudar imediatamente a política de quarentena que vinha sendo implementada pelo Ministério da Saúde.

    Durante a apresentação do novo ministro, uma série de panelaços foi registrada no país, sobretudo nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. Além do barulho das penelas, ouviam-se gritos de “Fora Bolsonaro” e “Assassino”. Os outros cinco pronunciamentos do presidente em cadeia nacional de TV também haviam sido alvos de panelaços.

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