Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Em pronunciamento de despedida, Mandetta adota tom diplomático

Ex-ministro não criticou presidente Jair Bolsonaro e, em coletiva no Ministério da Saúde, pregou defesa pela ciência

Por André Siqueira Atualizado em 16 abr 2020, 17h56 - Publicado em 16 abr 2020, 17h21

Demitido na tarde desta quinta-feira, 16, do cargo de ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, fez um pronunciamento diplomático, em seu ato de despedida como comandante da pasta. Sem criticar o presidente Jair Bolsonaro, com quem esteve em rota de colisão nas últimas semanas, o agora ex-ministro disse que o período em que esteve à frente da Saúde “foi muito bom” e afirmou que deixa como legado “a defesa da ciência”.

Ao chegar ao auditório Emílio Ribas, no Ministério da Saúde, Mandetta foi aplaudido de pé por funcionários. No início de seu pronunciamento, com a voz embargada, fez agradecimentos aos integrantes de sua equipe. “Não posso medir o tamanho do meu agradecimento com que aprendi com vocês. Saio daqui com uma experiência fantástica”, disse.

Na tarde desta quinta-feira, Mandetta foi chamado por Bolsonaro para uma reunião no Palácio do Planalto. Ao voltar para o prédio da Saúde, disse a interlocutores que o tom da conversa havia sido pacífico, sem sobressaltos, ao contrário do clima beligerante que pautou a relação entre eles nas últimas semanas. No encontro com o chefe do Executivo, frisou que não poderia entregar o que o presidente queria e desejou que tudo desse certo.

No fim de seu discurso, Mandetta disse a jornalistas e integrantes de sua equipe que, naquele auditório, eles conheceram “a verdade”.

O tom do pronunciamento desta quinta-feira difere do cabo de guerra travado por Mandetta e Bolsonaro nas últimas semanas. Enquanto o então ministro e sua equipe defendiam políticas de isolamento social, o chefe do Executivo pregava a adoção do isolamento vertical, destinado a pessoas que integram o grupo de risco, como idosos e pacientes com comorbidades. Na avaliação do presidente da República, manter a população em quarentena causaria o colapso da economia.

Havia, ainda, uma divergência em relação ao uso da hidroxicloroquina como medicamento capaz de curar pessoas infectadas pelo novo coronavírus. Enquanto o Ministério da Saúde defendia a conclusão de estudos que pudessem atestar a eficácia do remédio, Bolsonaro afirmava que o tratamento com o composto apresentava resultados sólidos.

Continua após a publicidade
Publicidade