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Santa Teresa terá de esperar até 2014 pelo novo bonde

Governo do estado apresenta projeto para recuperar sistema de trilhos, carros e estações. Durante um ano e meio bairro vai conviver com o quebra-quebra

O sistema de bondes de Santa Teresa, desativado desde agosto do ano passado por causa de um acidente que deixou seis mortos, será totalmente reformado. As irregularidades no trajeto e na estrutura do transporte promoveram nos últimos anos uma série de tragédias: a morte de uma professora, a morte de um turista francês que despencou do bonde no alto nos arcos da Lapa e a morte de seis pessoas no dia 27 de agosto de 2011 causada por falhas no freio. O governo do estado apresentou todas as reformas pelas quais o sistema passará e prometeu mais segurança, tecnologia e qualidade nesta sexta-feira. Após uma saraivada de críticas, o poder público e a empresa Central, que administra o bonde, enfim apresentaram um projeto consistente de renovação. A demora, no entanto, é o maior problema.

O governo prevê que o retorno da operação do sistema aconteça no primeiro semestre do ano de 2014. Na próxima segunda-feira, será aberta licitação para aquisição de 14 novos bondes, com capacidade para 24 pessoas sentadas, que substituirão os quatro bondes centenários até então existentes. Estão programados também os lançamentos dos editais de licitações para obras na via permanente, rede aérea e subestação; para reformas no projeto básico de oficinas e estações; e para o novo centro de controle. O secretário estadual da Casa Civil, Régis Fitchner, afirmou que o investimento será de 110 milhões de reais.

Os trilhos atuais do bonde serão substituídos por 17,5 quilômetros de trilhos bilabiados. Ou seja, o transporte circulava sobre uma estrutura especifica para trens, e não para o bondinho histórico do bairro. O transporte ganhará 3,3 quilômetros a mais. Os 7,2 quilômetros existentes passarão a ser 10,5 quilômetros, recuperando o traçado original com a reativação de dois trechos. Um deles é o ramal Silvestre que, com a reforma, tornará possível interligar o bonde com o trenzinho do Corcovado.

Toda a rede aérea, de 28,6 quilômetros, e os 39 postes localizados no trajeto serão substituídos. A subestação elétrica passará por reformas para atender a demanda por energia dos novos 14 bondes. O sistema de freio, criticado por especialistas pela fragilidade, será reformulado. Passarão a existir outros freios para caso um deles não funcione, como já ocorreu. O transporte terá câmeras internas e passará a ser rastreado.

Trafegar no bonde de pé ou pendurado será vetado pelo novo formato. O estribo foi retirado da parte central. Apenas no embarque e desembarque ele permanecerá, mas de forma retrátil. As laterais ganharão proteção e um fechamento parcial. Entrada e saída de passageiros, portanto, ficará restrita às extremidades. A Central teve consultoria dos técnicos da empresa Carris de Lisboa, que opera os trens na capital portuguesa. Os funcionários dos bondes, inclusive, farão estágio na Europa para serem atualizados.

Um Centro de Controle Operacional na Carioca será instalado para monitorar o trajeto dos bondes. Por causa de todas essas obras, o presidente da Central, Eduardo Macedo, acredita que o bairro terá trechos interditados durante um ano e meio. A demora é também por causa de uma parceria com empresas públicas ligadas à infraestrutura, como a de água e a gás, que aproveitarão a quebradeira de Santa Teresa para rever tubulações antigas.

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