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Porte de armas no campo deve ser ‘facilitado’, diz Geraldo Alckmin

Declaração do pré-candidato do PSDB ao Planalto é reação ao avanço de Jair Bolsonaro no agronegócio, sobretudo por sua proposta de armar produtores

Por João Pedroso de Campos - Atualizado em 17 Maio 2018, 14h37 - Publicado em 17 Maio 2018, 13h40

O pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, defendeu nesta quinta-feira (17), pela primeira vez, que o porte de armas deve ser facilitado a pessoas que vivem no campo. A posição do ex-governador de São Paulo é uma reação ao crescimento da candidatura presidencial do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) entre setores do agronegócio, sobretudo por suas propostas para o armamento de produtores rurais. Nesta quarta-feira (16), Bolsonaro afirmou, em Brasília, que, por ele, “o homem do campo vai ter fuzil em sua propriedade”.

“Claro que porte de arma na área rural deve ser facilitado, porque as pessoas estão mais distantes, local mais distante”, afirmou Alckmin, em coletiva de imprensa em São Paulo. “No agro hoje, as coisas são caras, defensivos agrícolas e equipamentos, valores impressionantes, e isso atrai quadrilhas”, continuou o tucano.

Questionado se apoiaria uma mudança na atual legislação sobre o porte de armas, o ex-governador paulista afirmou que não trataria de “miudezas eleitorais”, mas destacou que já existe porte de armas no campo e que sua equipe estuda o tema. “É natural que a pessoa [que vive no campo] tenha [arma], mas isso não é caminho para melhorar a segurança no campo”, contemporizou.

Os nomes que cuidarão da parte de segurança pública na campanha de Geraldo Alckmin serão anunciados na próxima semana.  Entre eles está o de Leandro Piquet Carneiro, do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP)

Ainda sobre a segurança no campo, Geraldo Alckmin afirmou que pretende replicar em escala nacional a política paulista sobre invasão de terras. “Invadiu, ‘desinvadiu’. Em São Paulo é regra. Decisão judicial de cumpre”, disse.

Sobre seu desempenho tímido nas pesquisas eleitorais e a viabilidade eleitoral de sua candidatura, Alckmin afirmou que os eleitores ainda não estão “interessados” na disputa. “Pesquisa influencia as pessoas, mas o fato é que só vai ter mudança de pesquisa quando tiver televisão e rádio. Você não tem o interesse das pessoas, em agosto ele vai lá pra cima. Essa é uma campanha de resistência e chegada”, disse o tucano.

A declaração de Alckmin sobre o porte de armas no campo foi dada na coletiva de imprensa em que o tucano anunciou Edmar Bacha, José Roberto Mendonça de Barros e Alexandre Mendonça de Barros como integrantes da equipe econômica de sua campanha presidencial, liderada pelo ex-presidente do BNDES Pérsio Arida.

Os economistas enumeraram entre as propostas da campanha tucana zerar o déficit fiscal do Brasil em dois anos, dobrar a renda dos brasileiros, aumentar em 50% exportações e importações e abrir setores estratégicos, como energia e infraestrutura, a investimentos estrangeiros.

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