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Polícia afasta delegados e investigadores presos em operação de combate ao tráfico em SP

Policiais perdem direito a remuneração; eles integram grupo investigado pelo Ministério Público por repassar informações e cobrar propina de traficantes

A Polícia Civil de São Paulo afastou de seus cargos delegados e investigadores presos nesta segunda-feira em operação do Ministério Público Estadual (MPE). O alvo era uma quadrilha de traficantes que atuava em Campinas, mas o MPE descobriu que policiais davam apoio aos bandidos. Entre os afastados estão os delegados Clemente Calvo Castilhone Júnior e Fábio do Amaral Alcântara, ambos do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), o investigador Mark de Castro Pestana e o agente Renato Peixeiro Pinto – os dois do Departamento de Polícia Judiciária Interior (Deinter 2), em Campinas.

Na mesma portaria de afastamento dos envolvidos no esquema, também consta que foram afastados do Denarc o agente Carlos Pereira da Silva e o investigador Marcos Alberto Severino de Oliveira; e o agente Rodrigo De Longhi Gomes de Mello, que estava no Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), mas trabalhou antes no Denarc. Porém, as assessorias de imprensa da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e da Delegacia Geral não informaram se o motivo dos afastamentos tem relação com a operação, alegando sigilo das investigações. A Corregedoria da Polícia Civil, no entanto, divulgou os nomes de seis policiais considerados foragidos. Dois deles, Gilson Iwamizu dos Santos e Jandre Gomes Lopes de Souza, se entregaram nesta quarta-feira.

O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Luiz Maurício Blazeck, assinou as portarias de afastamento oficial do cargo nesta segunda e terça-feira. O afastamento é decorrente da prisão temporária, de cinco dias, decretada pela Justiça para preservar a continuidade da investigação a pedido do Ministério Público. Mas vai além: os policiais perdem direito a remuneração até a condenação ou absolvição transitada em julgado, de acordo com o Estatudo dos Funcionários Públicos Civis do Estado.

PCC – Eles integram um grupo de treze policiais civis investigados pelo MPE por vazamento e repasse de informações sigilosas a traficantes de drogas do Primeiro Comando da Capital (PCC). Em troca, recebiam pagamentos de até 300 000 reais por ano. Com diferentes responsabilidades, segundo o MPE, os policiais cometeram crimes como formação de quadrilha, corrupção, tortura, roubo, extorsão e extorsão mediante sequestro. A conduta de cada um ainda não foi desvendada.

Castilhone ocupava posto de confiança na Polícia Civil: a supervisão da Unidade de Inteligência do Denarc. Ele daria, nesta quarta-feira, uma aula na sexta edição do “Curso de Investigação de Homicídios e Drogas Ilegais” em São Paulo. Mas não foi o único a ter a rotina alterada: Pestana tinha acabado de receber licença-prêmio e estava prestes a gozar dos primeiros trinta dias. Nesta quarta, eles foram chamados para prestar depoimento no MPE.

Contra os delegados Castilho e Alcântara pesa a suspeita de vazamento de informações sobre a operação de invasão da Favela do São Fernando, ponto de venda de drogas em Campinas. Suspeitos de receber propina dos traficantes, os investigadores Pestana e Peixeiro Pinto ficaram calados. O advogado deles, Ralph Pórtima Filho, disse que entrará com pedido de soltura dos seus clientes. “É a palavra de um delator traficante contra policiais com histórico de combate ao tráfico”, disse o advogado, que alega inocência de seus clientes.

Andinho – A investigação teve início em outubro do ano passado e flagrou contato do líder do tráfico em Campinas, Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho. Preso desde 2002 em Presidente Venceslau, Andinho mantinha, de dentro da cadeia, contato por telefone celular com seus comparsas. A partir da intercepção dos telefonemas, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) descobriu o envolvimento dos policiais.

(Com Estadão Conteúdo)