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Não haverá ‘cavalo de pau’ em quarentena, diz Bolsonaro ao lado de Teich

Em live no Facebook, novo ministro da Saúde apoia o discurso do presidente de que é preciso levar em conta saúde e economia no combate ao coronavírus

Por Da Redação Atualizado em 16 abr 2020, 21h47 - Publicado em 16 abr 2020, 21h33

Ao lado de Jair Bolsonaro na tradicional live de quinta-feira no Facebook, o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, procurou novamente, como havia feito na entrevista à tarde logo após ser convidado, mostrar que está alinhado ao presidente nas estratégias para combater o avanço do novo coronavírus.

Antes de passar a palavra ao novo titular da Saúde, Bolsonaro agradeceu ao ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, mas disse que a “linha dele (Mandetta) era voltada quase que exclusivamente para a questão da vida”, sem levar em conta os efeitos do isolamento horizontal na economia do país. “É importante, não tem nada mais importante que a vida, mas sabemos que os efeitos colaterais de uma quarentena muito rígida poderiam causar problemas seríssimos para o Brasil, a ponto de a economia não se recuperar mais”, disse.

Segundo Bolsonaro, as consequências econômicas da quarentena “também levam à morte”. E reforçou o que o ministro havia dito à tarde: não haverá mudanças bruscas em relação ao isolamento social. “Não vai ser um cavalo de pau que vamos dar nessa questão, mas gradativamente o Brasil vai votar a trabalhar”. Ele, no entanto, ressaltou que isso vai depender de governadores e prefeitos, já que o Supremo Tribunal Federal decidiu na quarta-feira 15 que estados e municípios têm autonomia para decretar quarentenas.

Questionado pelo presidente sobre como enxergava a questão, Teich disse que “a gente caminhou para uma separação entre saúde e economia”, ressaltou que não era assim que via o problema e fez um discurso que agradou a Bolsonaro. “Um país que cresce economicamente arrasta com ele o crescimento da saúde, da educação. Essa separação é irreal. Tudo vai influenciar no tempo de vida, na qualidade de vida e no bem-estar. Quando imagino cuidar da saúde das pessoas, é uma combinação de muitas coisas”, afirmou.

E completou: “Quando eu discuto emprego, quando eu discuto economia, estou pensando em pessoas, estou pensando na sociedade. É difícil às vezes você não poder dar o mínimo para a sua família, sei como isso é difícil para um pai”, disse, ecoando de novo um discurso recorrente de Bolsonaro. “Quando você começa a separar uma coisa da outra, você começa a trazer competição para onde deveria haver colaboração. Trabalhar pela saúde vai além do Ministério da Saúde”, afirmou.

  • Bolsonaro aproveitou, dizendo que muitos não entenderam as suas ressalvas à quarentena. “Eu fui muito criticado por ter ficado muito preocupado com a economia”, disse. “Vamos tomar as medidas que precisam ser tomadas com muito cuidado, com muita responsabilidade”, disse.

    E sacou de novo a cloroquina, medicamento cuja defesa não fazia em público desde o dia 9 de abril. Ele vinha se notabilizando pela pregação da possibilidade de o remédio ser fundamental no tratamento do coronavírus, embora isso ainda careça de estudos científicos conclusivos.

    “A cloroquina pode dar certo. Por que eu digo que pode? Porque não tem comprovação ainda. Mas pode se chegar à conclusão de que ela é eficaz. O que eu vejo no Brasil são muitos médicos aplicando a cloroquina. A cloroquina não é uma imposição minha, não é uma decisão de quem quer que seja, mas é algo que pode ser eficaz”, afirmou.

    Questionado pelo presidente, Teich saiu pela tangente. Disse que quando um medicamento ainda está sendo testado, se criam alguns critérios, disponibilizando-o para algumas pessoas, sempre dependendo de decisão do médico. “Há algumas indicações de que ela funciona e outros colocam alguns questionamentos sobre a eficácia e a toxicidade. Esse equilíbrio entre disponibilizar quando você acha que pode estar funcionando, em situações críticas em que as pessoas podem morrer, você coloca na mão do médico, o médico vai fazer essa escolha, vai ter essa responsabilidade”, disse. E no fim ressaltou que são necessários “dados mais precisos e mais confiáveis”.

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