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Mourão defende trabalho social contra crime e critica situação das prisões

Vice-presidente, entretanto, defendeu a redução da maioridade penal e o endurecimento da legislação quanto à progressão de penas

O vice-presidente general Hamilton Mourão defendeu que o governo tenha um trabalho “persistente” na área social para resolver a criminalidade do país. Caso contrário, afirmou, o governo vai “enxugar gelo”, mesmo com bons trabalhos na polícia. Ele ainda comparou as prisões brasileiras a “masmorras” e “colônias de férias” do crime.

“Com as pessoas vivendo amontoadas em favelas, sem acesso a água, a luz, com o traficante colocando a televisão a cabo para eles, nós não vamos resolver o problema. Temos de agir de forma vigorosa na área social”, afirmou Mourão, aplaudido pela plateia do Brazil Conference, evento organizado pelos estudantes brasileiros das universidades de Harvard e do MIT.

Mourão disse que o sistema prisional tem “masmorras” e, por isso, as prisões não conseguem atingir a finalidade esperada. “Como é que eu vou educar uma pessoa se jogo em uma prisão que é uma masmorra, sem ter atividade laboral, sem ter progressão educacional?”, indagou, também sob aplausos. A fala aconteceu no momento que foi questionado sobre as políticas repressivas na área da educação.

A comparação entre cadeias e masmorras já foi feita anteriormente em um governo petista. Em 2015, em lançamento de dados sobre o sistema prisional, o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que os presídios brasileiros eram “masmorras medievais”.

No domingo 7, antes do momento das perguntas, no pronunciamento inicial, o atual vice-presidente chegou a dizer que as prisões eram como “colônias de férias” do crime organizado — uma expressão que ele não repetiu no momento de perguntas e respostas.

Contudo, ele defendeu a redução da maioridade penal e o endurecimento da legislação quanto à progressão de penas. “A nossa legislação penal, na minha visão e na visão do governo, é branda ainda. Criminoso tem de cumprir seu tempo na cadeia”, disse Mourão.

Mourão também defendeu o presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante sua participação na conferência. Para ele, o presidente é “muitas vezes tão criticado, muitas vezes tão pouco compreendido”. “Para Bolsonaro, moldar o futuro é a suprema arte de um governo. A visão do presidente é muito clara: ele está trabalhando para as próximas gerações e não para as próximas eleições”, disse.

“Ele tem firme que em primeiro de janeiro de 2023, quando entregarmos nosso bastão, o país deverá estar com suas reformas prontas, com a base em condições para que então tomemos o rumo para aquilo que tem que ser nosso destino manifesto”, afirmou o vice-presidente.

O general minimizou a queda de popularidade do governo dizendo que o “Executivo não tem varinha de condão”. “Vejo naturalmente essa queda inicial na popularidade”, afirmou Mourão. O vice-presidente disse que há uma “ansiedade” muito grande por parte da sociedade e que sabe que as pessoas clamam por mudanças.

Clima

Apesar dos aplausos ao falar de segurança, Mourão acabou confrontado verbalmente por estudantes em outros temas. Ao sugerir que a alteração no clima mundial poderia ser um fenômeno natural e cíclico, a plateia de estudantes reagiu. “Não sabemos se é uma daquelas curvas senoides (ou seja, apenas uma oscilação)”, disse, quando foi interrompido por gritos de “não” da plateia. “Ou se (a mudança climática) veio para ficar”, completou.

Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro chegou a ameaçar retirar o Brasil do Acordo de Paris e filhos do presidente já ironizaram nas redes sociais o aquecimento global. Mourão, assim como Bolsonaro já fez, ressaltou que o país não deixará o acordo climático. “Vamos nos sujeitar aos ditames ali colocados.”

(Com Estadão Conteúdo)