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Justiça do Rio determina que prefeitura informe sobre eventos de Paes

A juíza da 8ª Vara de Fazenda Pública, Alessandra Cristina Tufvesson, acatou um pedido do PROS após vídeo publicado por filho de Sérgio Cabral

Por Cássio Bruno - Atualizado em 8 set 2020, 16h48 - Publicado em 26 jun 2020, 13h30

A Justiça do Rio de Janeiro determinou na quarta-feira, 24, que a prefeitura da capital e o Tribunal de Contas do Município (TCM-RJ) informem quais foram os eventos realizados na Gávea Pequena, residência oficial do prefeito, de 2009 a 2016, além dos custos. O período compreende a gestão do ex-prefeito Eduardo Paes (DEM). A juíza da 8ª Vara de Fazenda Pública, Alessandra Cristina Tufvesson, acatou um pedido do PROS. O partido ajuizou a ação após um vídeo ter sido publicado nas redes sociais pelo ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, preso na Operação Lava-Jato. Nele, exibido no último dia 6, Marco Antônio afirma que Paes ofereceu no local pelo menos 40 jantares para seu pai.

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Eduardo Paes é pré-candidato novamente a prefeito do Rio. Nas eleições em que foi eleito e, depois, reeleito prefeito, Paes teve apoio de Sérgio Cabral. Desta vez, por conta dos escândalos de corrupção envolvendo o ex-governador, Paes tinha a estratégia de se descolar da imagem do ex-aliado. Em entrevista às Páginas Amarelas de VEJA, em 29 de maio, o ex-prefeito negou amizade com Cabral e outros integrantes do MDB, sua antiga legenda, afirmando que a relação era apenas “institucional”. No vídeo, Marco Antônio rebateu: “Quantos jantares você (Eduardo Paes) deu na Gávea Pequena de homenagem ao meu pai? De 2014 a 2016, foram mais de 40 jantares. Você sempre brincava com o Helinho, que era o mordomo da Gávea Pequena ‘Não deixa a taça do meu chefe vazia, Helinho!”.

No despacho da decisão, a juíza Alessandra Cristina Tufvesson afirma que “os eventos, apesar de particulares, foram realizados em local mantido com recursos públicos, o que ensejou o questionamento quanto à possibilidade de que tenham sido custeados com recursos públicos”. A magistrada determinou ainda que Marco Antônio Cabral preste esclarecimentos sobre o caso. A prefeitura do Rio e o TCM terão 20 dias úteis para fornecer as informações determinadas na decisão, a contar de sua intimação. Só depois, então, Marco Antônio será ouvido em audiência. O atual prefeito é Marcelo Crivella (Republicanos), que tentará a reeleição.

O PROS é presidido pela deputada federal Clarissa Garotinho. Ela também já declarou ser pré-candidata à prefeita. “Marco Antônio Cabral fez revelações graves. Queremos que a Justiça conclua essas investigações. Há fortes indícios de uso de dinheiro público para homenagear e bajular um dos políticos mais corruptos da história do Brasil, de quem Paes sempre foi aliado. Queremos que os eventuais danos aos cofres públicos sejam reparados pelo ex-prefeito”, disse a parlamentar. Clarissa é filha dos ex-governadores Anthony Garotinho e Rosinha Matheus. O casal foi aliado de Sérgio Cabral até 2006. Garotinho e Rosinha já foram presos cinco vezes.

No vídeo, Marco Antônio Cabral desabafou: “Venho aqui hoje fazer publicamente um desabafo. É com profunda tristeza que vemos o Eduardo Paes falar do meu pai. Diz que a relação é institucional com o Cabral e disse que nunca foi à casa de Mangaratiba. Mentira. Foi diversas vezes, não só na primeira casa, como na segunda casa. De carro, de helicóptero, sozinho, com a família”. E continuou: “O aniversário de 50 anos do meu pai, você (Paes) fez questão de dar uma festa para mais de 100 convidados na Gávea Pequena, em que vocês terminaram na piscina. Meu aniversário de 18 anos, o do meu irmão, em 2015, também foram na Gávea Pequena. Quando o apartamento do meu pai estava em obras, você ofereceu o apartamento do seu irmão, na mesma rua, para o meu pai morar com a família durante dois ou três meses”.

Por fim, Marco Antônio Cabral acrescentou: “Entendemos que as eleições estão chegando. Nós te apoiamos em 2008, quando você tinha menos de 10%. Sempre te apoiamos e vamos continuar apoiando. Isso está nos machucando. Você faz questão de falar dos erros do meu pai. Ele cometeu erros e tem falado à Justiça sobre esses erros e vai continuar colaborando, sob qualquer circunstância. Mas pare de atacar e falar que a relação era institucional. A população sabe”.

Procurado por VEJA, Paes não comentará. Marco Antônio disse apenas que dará todos os esclarecimentos que precisar à Justiça. A Procuradoria do município disse que “a Prefeitura do Rio vai prestar as informações tão logo seja notificada”.

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