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Futuro do PT: Lula reafirma posição de liderança de Haddad, dizem aliados

O deputado Emídio de Souza visitou o ex-presidente Lula na prisão e relatou a avaliação do petista sobre o partido após o segundo turno

Por Reuters Atualizado em 30 out 2018, 16h09 - Publicado em 29 out 2018, 23h34

Em seu primeiro recado ao PT depois do final das eleições, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao partido que tenha calma, espere a poeira baixar e não se precipite na avaliação do cenário pós-eleição. Ele também reafirmou a posição de liderança no partido que o presidenciável da sigla, Fernando Haddad, conquistou depois do segundo turno.

Um dos coordenadores da campanha de Haddad, o deputado Emídio de Souza esteve na segunda-feira 29 com Lula em Curitiba e fez um relato aos membros da CNB — a tendência Construindo um Novo Brasil, da qual o ex-presidente e Haddad fazem parte.

A avaliação do ex-presidente foi de que o resultado eleitoral não foi bom, obviamente, pela derrota, mas permitiu ao PT liderar um processo que reuniu gente para além dos partidos, em uma frente que envolveu a sociedade, e ir além do que se esperava em uma eleição em que ele próprio foi impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa.

Haddad foi derrotado no segundo turno da eleição presidencial para Jair Bolsonaro (PSL), que teve 55,1 por cento dos votos válidos, contra 44,9 por cento do petista. Apesar da derrota, foram 47 milhões de votos.

Lula coloca Haddad, que foi seu substituto na chapa, no centro das discussões daqui para frente. Recomendou que o ex-prefeito de São Paulo seja consultado sobre seus planos e como planeja liderar essa frente de oposição ao governo Bolsonaro.

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Alinhada com os desejos do ex-presidente, a CNB — e outros petistas aliados diretamente a Haddad — avaliam que o ex-candidato conquistou um espaço que precisa ser usado para que o PT possa continuar liderando essa frente de oposição.

“Haddad saiu como uma grande liderança, saiu com estatura para ser uma liderança nacional. Antes só tinha Lula”, disse  o presidente do PT do Rio, Washington Quaquá. “Haddad passa a ser um grande interlocutor com a sociedade e se credenciou para liderar uma frente democrática. Essa é a posição do Lula também.”

O tamanho que Haddad terá e o papel que vai desempenhar nesse futuro PT estão no centro das preocupações de Lula e do próprio partido. Seus defensores creem que o tempo de resistências ao ex-prefeito acabou e reconhecem que foi a capacidade dele de conversar com diferentes setores que levou o partido a conseguir ampliar seu leque de apoios — além, claro, da rejeição a Bolsonaro.

Ainda assim, há setores no partido que temem a perda de liderança e de holofotes para um “novato”.

Em seu discurso depois do anúncio da eleição de Bolsonaro, Haddad se colocou à disposição para liderar uma oposição. Nesta segunda, o ex-prefeito não foi à reunião da CNB. Pela manhã, saiu de casa apenas para ir até o Insper, onde dá aulas, e perguntado sobre o que faria daqui para frente, disse que voltaria a trabalhar, porque tinha apenas tirado uma licença de noventa dias para a campanha.

  • Executiva

    Convocada pela presidente do partido, senadora Gleisi Hoffmann, a Executiva da sigla, acrescida de parlamentares e de outros petistas graúdos, se reúne nesta terça-feira, 30, em São Paulo para fazer uma primeira avaliação de cenário. No entanto, embalada pelo recado de Lula, a tendência CNB ecoa a posição lulista. “A maioria (da CNB) avaliou que a reunião de amanhã é precipitada. Vamos recomendar que não se tenha nenhuma avaliação. Precisamos ter calma”, defendeu Quaquá. “Todo mundo que ganha uma eleição tem legitimidade democrática. Precisamos fazer oposição a coisas concretas.”

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