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Eduardo Paes e Marcelo Freixo trocam acusações sobre milícias em debate na TV

Deputado estadual do PSOL acusou prefeito de se reunir com milicianos. Peemedebista rebateu dizendo que o rival não tem controle de quem entra para o partido, citando candidato expulso por suspeita de integrar quadrilha

Por João Marcello Erthal e Cecília Ritto - 6 set 2012, 01h15

Quem resistiu acordado aos dois primeiros blocos do debate entre os candidatos a prefeito do Rio, exibido na RedeTV e realizado em parceria com a Folha de S. Paulo, conseguiu assistir, no terceiro segmento do programa, ao primeiro embate de verdade na corrida eleitoral na cidade. Uma troca de acusações sobre milícias, entre o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) e o prefeito Eduardo Paes (PMDB), foi o momento mais tenso do encontro desta quarta. Freixo acusou Paes de ter se reunido com milicianos, em 2009, para decidir como seria feita a licitação para concessão de linhas de vans na cidade. Paes, como resposta, acusou o rival de não controlar quem se candidata pelo PSOL.

O bate-boca foi temperado pela revelação desta quarta-feira, feita pelo Radar Online, do site de VEJA, de que um dos candidatos a vereador pelo PSOL, Berg Nordestino, era citado no relatório da CPI das Milícias, presidida por Freixo. O candidato do PSOL começou a pergunta com uma provocação. “Você me chamou de leviano. Vamos ver agora quem é leviano. Em 2009 você se reuniu na prefeitura com milicianos. Quem eram e qual era o motivo da reunião?”

Debate no Rio: Eduardo Paes foi pressionado pelos opositores
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Debate no Rio: Marcelo Freixo se dedicou a falar das milícias
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Paes se disse surpreso com a agressividade do rival, e alegou não verificar antecedentes criminais de quem vai à prefeitura. “Recebo muita gente na sala do prefeito. Não peço certidão criminal. Nem o senhor pelo visto, que tem em seu partido um candidato a vereador que é miliciano”, afirmou o prefeito, que chamou Freixo de deselegante e desrespeitoso.

Freixo voltou à carga, citando nomes de chefes de quadrilha – Dalmir, Cabeção, Gringo – e acusando o prefeito de favorecer grupos que comandam paramilitares. O candidato do PSOL teve uma sorte: no módulo anterior, ele respondeu sobre o caso do candidato Berg Nordestino, em pergunta feita por um dos jornalistas. Defendeu-se dizendo que Berg foi citado – não indiciado – apenas com seu primeiro nome no relatório da CPI. Afirmou ter pedido à Secretaria de Segurança informações sobre Berg e disse que na tarde de quarta-feira ele já havia sido expulso. Para Freixo, o candidato seria um “infiltrado” de grupos criminosos. Berg Nordestino conseguiu, assim, visibilidade que seria impossível a ele ou qualquer candidato a vereador no debate entre candidatos a prefeito. E o candidato do PSOL usou todo o seu tempo restante para atacar.

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Paes, o próximo a perguntar, dirigiu-se a Aspásia Camargo, para esfriar o debate. O programa voltou, assim, à temperatura que predominou nos quatro blocos. O primeiro módulo, com sorteio de candidatos para perguntas entre rivais, só esquentou por obra do acaso. Eduardo Paes, quarto a perguntar, só tinha como opções Otávio Leite (PSDB) e Rodrigo Maia (DEM). Optou por fazer uma espécie de comercial dos avanços da educação no Rio no IDEB. Rodrigo Maia respondeu fazendo ataques e fez o eleitor, pela primeira vez, sair da imobilidade no sofá de casa. Eduardo Paes não perdoou, e atacou o sistema de aprovação automática criado pelo pai do democrata, Cesar Maia. “Você fala falsas verdades. Não acabou o ciclo da aprovação automática”, disse Maia. Em seguida, Paes emendou na réplica: “Eu nem ia lembrar do passado, mas o senhor representa a reprovação automática e a última colocada do IDEB, que é prefeitura de Campos (governada por Rosinha Garotinho, mãe de Clarissa, a vice na chapa de Rodrigo).

Os temas mais quentes só apareceram no segundo bloco, com perguntas dos jornalistas Cristina Grilo, da Folha de S. Paulo, e Tony Vendramini, da RedeTV. Eduardo Paes foi confrontado com um dos temas mais incômodos desde que recebeu apoio do PT e do ex-presidente Lula: as críticas que fez a ele na CPI dos Correios. Defendeu-se dizendo que fez com que a prefeitura deixasse de ser uma “trincheira”, e que cumpriu seu papel como deputado federal.

Paes, colmo esperado, foi o mais atacado. Afinal, o candidato à reeleição tem, pelas pesquisas eleitorais, fortes chances de liquidar a eleição no primeiro turno. No quarto bloco, o prefeito, perguntado sobre os contratos da prefeitura com a construtora Delta, Paes não soube especificá-los. “Tenho várias empresas prestando serviço para a prefeitura”, disse. “Não estou nem aí para esse empreiteiro (Fernando Cavendish), quero que ele toque a vida dele. Compete a ele explicar os pecados na CPI. Isso não compete a mim”, afirmou.

Estratégias – De forma geral, o segundo debate teve o mérito de deixar mais claras para o eleitor as estratégias de campanha. Rodrigo Maia, que frisou em vários momentos seu número – e até o do pai, candidato a vereador – repetiu continuamente um de seus slogans de campanha (“O Rio tá bombando pra quem?”). Tentou, assim, tornar-se mais conhecido, ou menos desconhecido. Aspásia Camargo marcou posição, pois é tudo o que é possível fazer sem ter o empenho de puxadores de voto importantes no estado, como Fernando Gabeira e Marina Silva.

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Otávio Leite tentou mostrar que o PSDB tem propostas para governar, mas ele próprio mostrou insatisfação com os 12 anos em que o partido ficou fora das disputas por cargos majoritários no Rio. O tucano, ainda assim, apareceu pouco e por vezes arrancou risos da plateia. “Quando fui escolhido vice de Cesar Maia, deveria ganhar uma caneta, mas a minha veio sem tinta”, brincou para dizer que não teve poder de fato.

Freixo, que pelas pesquisas tem mais chances de chegar a um ainda improvável segundo turno, chamou Paes para o confronto direto. Perdendo ou ganhando o embate na TV, conseguiu uma vitória: forçou a porta do noticiário nos próximos dias, e poderá, assim, com pensar seu pouco tempo de TV. O discurso baseado na ética e batendo na teclas do combate às milícias rendeu a ele boa visibilidade, mas não deu ao eleitor chance para conhecer o que faria se eleito. Paes, a quem interessa a manutenção da pasmaceira na campanha, usou a experiência e mostrou-se bem preparado para responder a ataques.

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