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Donos da JBS são alvos de mandados de condução coercitiva

Ação deflagrada nesta segunda-feira investiga fraudes nos quatro maiores fundos de pensão do país, avaliadas em pelo menos 8 bilhões de reais

Por Da redação Atualizado em 5 set 2016, 13h30 - Publicado em 5 set 2016, 10h21

Os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da J&F, holding que é proprietária da JBS, foram alvos de mandados de busca e apreensão e condução coercitiva no âmbito da Operação GreenfieldAs informações são do jornal Folha de S. Paulo. O empresário Wesley chegou a prestar depoimento aos investigadores. Joesley, porém, está fora do Brasil.

A operação Greenfield investiga desvios de dinheiro nos quatro maiores fundos de pensão do país — Funcef (Caixa Federal), Petros (Petrobras), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correios). A PF cumpre ao todo 7 mandados de prisão temporária e 34 de condução coercitiva em oito Estados e no Distrito Federal.

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Ao todo, foram expedidos 127 mandados judiciais expedidos pela 10ª Vara Federal de Brasília, sendo sete de prisão temporária, 106 de busca e apreensão e 34 de condução coercitiva nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Amazonas, além do Distrito Federal.

Em nota, a J&F informou que “a empresa esclarece que os investimentos feitos pela Petros e Funcef na Eldorado foram de 550 milhões de reais no ano de 2009. De acordo com últimos o laudo independente (Deloitte) emitido em dezembro de 2015, a participação dos fundos atualizada é de 3 bilhões de reais, ou seja seis veze valor investido inicialmente”, diz o texto. “A  J&F e seus executivos esclarecem que colaboram com as investigações e estão à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.”

Na Justiça — Em julho, Joesley Batista foi alvo da Operação Sépsis. Na ocasião, a PF também cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do empresário. A empresa JBS em si não era alvo da operação, mas sim a Eldorado Brasil, controlada pela J&F. A operação tinha como objetivo investigar um suposto esquema de pagamento de propina para liberação de recursos do Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS), administrado pela Caixa Econômica Federal.

Em janeiro passado, a Justiça aceitou uma denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra Joesley e outras oito pessoas ligadas ao grupo J&F e ao Banco Rural por crime contra o Sistema Financeiro Nacional. O MPF informou, na época, que uma operação feita em 2011 foi a base para a denúncia. Segundo os promotores, as empresas concederam empréstimos entre si, em operações conhecidas como “troca de chumbo”, na qual instituições financeiras de diferentes grupos econômicos emitem crédito a empresas que também fazem parte desses conglomerados. A lei veda a concessão de empréstimo de uma entidade financeira a suas sociedades controladoras.

De acordo com o MPF, J&F Participações e a Flora Produtos de Higiene e Limpeza, da J&F, obtiveram 80 milhões de reais em empréstimos do Banco Rural, um dia após abrirem contas correntes na instituição. Quatro dias depois, a empresa Trapézio, controladora do Banco Rural, recebeu empréstimo no mesmo valor, 80 milhões de reais, ao firmar contrato com o Banco Original, da J&F, responsável por emitir a nova operação de crédito.

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