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Bolsonaro: ‘Não teremos só laços de amizade com os EUA, mas negociações’

Presidente brasileiro acena com parcerias nas áreas de 'mineralogia', agricultura e biodiversidade e se diz vítima, como Trump, da mídia e das 'fake news'

Por Julia Braun, de Washington D.C. - Atualizado em 18 Mar 2019, 21h48 - Publicado em 18 Mar 2019, 20h48

Em discurso de improviso a empresários brasileiros e americanos, em Washington, o presidente Jair Bolsonaro acusou os governos de seus antecessores de tratar os Estados Unidos como “inimigos” e afirmou que sua administração será marcada por “laços de amizade e negociações” com esse país. Segundo o presidente, ambos os governos poderão se engajar em discussões de acordos sobre “mineralogia”, agricultura e biodiversidade.

Bolsonaro se reunirá com o presidente americano, Donald Trump, na manhã de terça-feira 19, na Casa Branca. No discurso, antecipou elogios ao país de destino de sua primeira visita oficial, dizendo “admirar” os Estados Unidos e considerá-los “inspiradores” para o Brasil. Ele disse que “estenderá as mãos para parcerias” com o governo americano.

“Pensamos em um Brasil grande, assim como Trump quer os Estados Unidos grandes”, afirmou, mencionando como exemplo de parceria dessa nova fase da relação bilateral o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas para o uso do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, assinado pouco antes entre os dois países.

Em uma tentativa de aproximação, o brasileiro mencionou ter conhecido Trump durante as primárias do Partido Republicano, em 2016, quando o então candidato sofria os “ataques da mídia, as fake news“. Alegou também ter sofrido agressões semelhantes em sua campanha, na qual teria gastado “menos de 1 milhão de dólares”. Admitiu ainda que “só arranjamos um partido seis meses antes da eleição” de outubro passado, em referência ao PSL, considerado legenda de aluguel.

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Bolsonaro também afirmou que conta com o apoio e capacidade bélica de Washington para ‘libertar o povo’ da Venezuela: “Temos alguns assuntos que estamos trabalhando em conjunto, reconhecendo, obviamente, a capacidade econômica, bélica, entre outras, dos Estados Unidos. Temos que resolver a questão da nossa Venezuela. A Venezuela não pode continuar da maneira como se encontra. Aquele povo tem que ser libertado e contamos com o apoio norte-americano para que esse objetivo seja alcançado”.

O presidente preferiu discursar de improviso, sem ler um texto previamente escrito. Com isso, sua mensagem foi do “milagre” de sua eleição a juras de amor ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que provocaram risos na plateia. “Apesar de conhecê-lo só há um ano, foi amor à primeira vista”, disse Bolsonaro, logo depois de elogiar a aproximação da visão ultraortodoxa de seu ministro com a do ex-presidente americano Ronald Reagan (1911-2004), de quem se disse um admirador.

Ele alegou que sua eleição fez o Brasil dar uma “guinada para a direita”, para um governo que acredita na família e é contra o politicamente correto e a ideologia de gênero. Em uma nova tentativa de comparação, disse que, assim como o povo americano escolheu Trump, o brasileiro “conservador e temente a Deus” o escolheu no Brasil.

Em uma menção anterior à vontade divina, Bolsonaro afirmou que “a grande transformação do Brasil” se deveu a dois milagres. O primeiro é sua sobrevivência do atentado, “ainda não elucidado”, sofrido em Juiz de Fora, em setembro. O segundo foi sua eleição por um “povo cansado”, que “não aceitava mais a esquerda”.

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Ação militar na Venezuela

Sobre as declarações feitas por Bolsonaro sobre a Venezuela, o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, negou que o Brasil tenha intenção de apoiar o governo americano em qualquer tipo de intervenção militar na nação controlada pelo ditador Nicolás Maduro.

“O Brasil entende que a situação da Venezuela deva ser resolvida com base na nossa democracia que é tão antiga e de referência mundial”, disse.

Durante a manhã desta segunda, Bolsonaro visitou a sede da CIA em Washington. O presidente se reuniu com a diretora do órgão de inteligência americano, Gina Haspel.

Depois do encontro, o líder brasileiro não foi visto pela imprensa nas imediações da Blair House ou da Casa Branca por ao menos duas horas. O porta-voz da Presidência não quis confirmar as atividades de Bolsonaro e disse apenas que ele teve agenda privada.

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O presidente participou hoje de uma reunião com o ex-secretário do Tesouro americano, Henry Paulson. Também concedeu uma entrevista à emissora americana Fox News, que será exibida às 23h do horário local nos Estados Unidos.

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