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Bolsonaro anuncia general para Secretaria de Governo

Carlos Alberto dos Santos Cruz era cotado para a Secretaria de Segurança Pública em pasta de Moro, mas vai ter cargo dentro do Palácio do Planalto

O presidente da República eleito, Jair Bolsonaro (PSL), anunciou na manhã desta segunda-feira, 26, o nome do general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz para ocupar a Secretaria de Governo a partir de janeiro, quando o novo governo toma posse.

Santos Cruz é o quarto general confirmado na gestão Bolsonaro. Além dele, estarão na equipe o vice-presidente eleito, Hamilton Mourão (PRTB), o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e o titular da Defesa, Fernando Azevedo e Silva.

Assim como tem feito nas indicações dos nomes que comporão o primeiro escalão em sua gestão, o presidente eleito publicou a informação em sua conta no Twitter:

Ocupada atualmente, no governo Michel Temer (MDB), pelo ministro Carlos Marun, a Secretaria de Governo tem entre suas principais funções a interlocução política do Palácio do Planalto com o Congresso. Há duas semanas, o futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, havia afirmado que a sua pasta absorveria as funções da atual Secretaria de Governo, que perderia status de ministério.

Antes de ser oficialmente anunciado por Bolsonaro para a Secretaria de Governo, o nome do general Santos Cruz era cotado para a Secretaria de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que será ocupado pelo ex-juiz federal Sergio Moro.

Na semana passada, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, filho do presidente eleito, chegou a dizer no Twitter que o militar da reserva havia sido escolhido para o cargo na pasta que será comandada por Moro. “Diferentemente de ALGUNS políticos babacas que ficam postando fotos para demonstrar intimidade inexistente para barganhar algo, deixo aqui meu testemunho, o General Santos Cruz, o novo Secretário Nacional de Segurança Pública é simplesmente uma ótima referência!”, escreveu Carlos na rede social. 

Apesar da informação divulgada pelo filho de Bolsonaro, Moro não se pronunciou publicamente sobre a possível nomeação de Santos Cruz.

O general da reserva já havia ocupado a Secretaria de Segurança Pública no governo Temer (MDB), entre abril de 2017 e junho de 2018, quando foi exonerado a seu pedido para atuar como consultor da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em 44 anos de carreira no Exército, Santos Cruz chegou à patente de general de divisão, a segunda mais alta na hierarquia, abaixo apenas de general de Exército. Ele comandou as missões de paz da ONU no Haiti, entre 2006 e 2009, e na República Democrática do Congo, de 2013 a 2015 – neste caso, deixou a reserva, em que estava desde 2012, a pedido das Nações Unidas, e voltou à ativa. A missão no Congo foi a primeira em que o organismo internacional autorizou o uso da força para impor a paz.

Em janeiro de 2018, a ONU divulgou um relatório coordenado por Carlos Alberto dos Santos Cruz em que ele recomenda mudanças na atuação de soldados em missões de paz, que devem “estar conscientes dos riscos e devem ser habilitados para tomar a iniciativa de deter, prevenir e responder a ataques”. “Esperar em postura defensiva apenas dá liberdade a forças hostis para decidir quando, onde e como atacar as Nações Unidas”, diz o relatório.

“Infelizmente, grupos hostis não entendem outra língua que não seja a da força”, afirma o documento, produzido a partir de uma visita de 45 dias de Santos Cruz e outros oficiais da ONU à República Democrática do Congo, à República Centro-Africana, ao Mali e ao Sudão do Sul.