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Biometria provoca longas filas e deve atrasar a apuração

No Distrito Federal e em outras regiões onde o novo sistema é usado, a espera para votar chega a ser de mais de 2h. No DF, votação só deve terminar às 19h

Por Gabriel Castro e Marcela Mattos, de Brasília - 5 out 2014, 16h52

O uso do novo sistema de cadastro biométrico tem causado atrasos em todo o país neste domingo – e pode ter impacto nos prazos de apuração das urnas. Cerca de 15% dos eleitores brasileiros, em 24 estados e no Distrito Federal, devem fazer uso do novo sistema, que dispensa a assinatura.

O Distrito Federal é a única unidade da federação onde 100% dos eleitores têm cadastro biométrico. Lá, como em outras regiões do país, o tempo de espera tem ficado acima do normal em um número significativo de seções. O motorista Gilvan Ribeiro tentou votar pela manhã em um colégio da região do Lago Oeste mas desistiu depois de uma hora. Ele retornou após o almoço e a situação havia piorado. “Desisti pensando que de tarde seria diferente, mas estou na fila há quase duas horas. Esse sistema parece não estar funcionando”, disse ele.

Na mesma escola, o fiscal Mozart Camapum disse que duras horas têm sido o tempo médio de espera pela votação. Em uma das três seções eleitorais do colégio, a urna teve de ser reiniciada três vezes. E, cada vez que isso acontece, há um atraso de cerca de dez minutos. De acordo com o fiscal, o TRE orienta que o terminal deve ser ligado e desligado a cada seis ou sete erros no sistema de biometria.

Cento e vinte urnas foram substituídas até agora no Distrito Federal, de acordo com o TRE. Isso equivale a 1,8% do total. A média é uma das mais altas do país. A previsão é de que em alguns lugares a votação só se encerre por volta das 19 horas. Com isso, a apuração pode terminar entre 21h30 e 22 horas, até duas horas depois do previsto inicialmente. A estimativa é do presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Romão de Oliveira.

Mais cedo, o ministro Dias Toffoli, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, minimizou o problema com o cadastro biométrico e afirmou que parte do atraso se deve ao uso incorreto do leitor que detecta as digitais. Além do Distrito Federal, falhas semelhantes foram detectadas no interior do Ceará, em João Pessoa (PB) e em Teresina (PI). Nas duas últimas cidades, a espera pela votação ultrapassa as duas horas em alguns locais.

Orientação – O secretário de Tecnologia de Informação TSE, Giuseppe Janino, afirma que os problemas foram isolados e não ameaçam o calendário de divulgação. De acordo com ele, o problema foi causado pela inexperiência de muitos mesários, que não orientaram de forma correta o eleitor a posicionar o dedo e mantê-lo pelo tempo adequado no leitor óptico. “Não se trata de um erro de software. O processo de identificação biométrica ainda é uma novidade que requer ainda um aprendizado, principalmente dos mesários.”

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