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Após pressão sobre Pazuello, governadores anunciam compra de vacina russa

Segundo eles, acordo prevê aquisição de 39 milhões de doses da Sputnik V, com primeiros lotes entregues ainda em março

Por Eduardo Gonçalves Atualizado em 12 mar 2021, 17h58 - Publicado em 12 mar 2021, 12h05

Os governadores da Região Nordeste acertaram com o Ministério da Saúde a assinatura de um contrato de compra de 39 milhões de doses da vacina russa Sputnik V. Segundo os governadores da Bahia, Rui Costa (PT), e do Piauí, Wellington Dias (PT), os últimos detalhes da negociação já foram fechados e a aquisição deve ser oficializada ainda nesta sexta-feira, dia 12.

Rui Costa já vinha negociando com o Fundo Soberano Russo desde agosto de 2020, quando assinou um memorando para a compra de 50 milhões de doses. A negociação foi destravada nesta semana após o Congresso aprovar e o presidente Jair Bolsonaro sancionar a lei 534/2021, que autoriza estados, municípios e o setor privado a comprarem vacinas diretamente dos laboratórios. A nova legislação, no entanto, prevê que o imunizante deve ser autorizado pela Anvisa, o que ainda não aconteceu com a vacina russa.

Para pressionar o Ministério da Saúde, Costa declarou que iria formalizar por conta própria o contrato nesta sexta se a pasta não se pronunciasse. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, então, se reuniu por videoconferência com os governadores da Região Nordeste na quinta-feira, 11, e combinou que a pasta assumiria o contrato e compraria as doses negociadas, segundo eles. “O ministro disse prontamente: nós compramos a vacina pelo SUS”, afirma Wellington Dias, que é presidente do consórcio do Nordeste e tem feito o meio de campo entre os governadores e Pazuello. Segundo Dias, o ministro instituiu um “novo parâmetro” para reforçar o portfólio de vacinas disponíveis no Brasil: “Podemos ter a iniciativa, mas o governo (federal) se dispõe a assumir o contrato, pagar pelo SUS e colocar a vacina para todo o Brasil”, explicou ele.

  • Procurado, o ministério da Saúde confirmou que fechou um contrato para receber 10 milhões de doses da vacina que serão importadas por meio do laboratório brasileiro União Química. “Agora, para que possamos efetivamente aplicar a Sputnik V em nossa população e realizar os pagamentos, só necessitamos que a União Química providencie com a Anvisa, o quanto antes, a autorização para uso emergencial e temporário“, afirmou o secretário-executivo da pasta, Elcio Franco. Segundo a pasta, uma remessa inicial de 400.000 doses deve ser entregue até o fim de abril e o restante até junho, um cronograma tardio levando em conta que o país enfrenta hoje o pior momento da pandemia, com recordes diários de mortes e o colapso nos sistemas de saúde em todas as regiões do país..

    Nesta sexta-feira, o gerente de Medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes, fez uma atualização sobre o andamento do processo de registro da vacina russa. Segundo ele, a empresa pediu autorização para o uso temporário, mas teve a solicitação devolvida para o complemento de alguns questionamentos técnicos. “A expectativa é que os próximos passos sejam tomados pela empresa”, disse Mendes.

    Matéria de VEJA desta semana mostra que, diante do agravamento da crise de Covid-19, as principais autoridades do país conseguiram superar algumas divergências e ensaiar uma atuação mais coordenada para ampliar a vacinação, que envolve a atuação dos governadores, Congresso, Planalto e iniciativa privada.

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