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Em debate no Rio, candidatos usam Cabral e Crivella para se atacar

Ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC) e ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (DEM) participaram de encontro na Globo, o último antes do 2º turno, no domingo (28)

Por Fernando Molica e Luisa Bustamante - Atualizado em 26 out 2018, 02h03 - Publicado em 25 out 2018, 22h02

Os candidatos ao governo do Rio Wilson Witzel (PSC) e Eduardo Paes (DEM) usaram as figuras do ex-governador Sergio Cabral (MDB), que está preso, e do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), cuja popularidade está em baixa, para se atacar na noite desta quinta-feira (25). Eles participaram do debate organizado pela TV Globo, o último antes do segundo turno, no domingo (28).

Como estratégia, ambos tentaram se desvencilhar os políticos citados. Paes disse que só tinha “relações institucionais” com Cabral, que na verdade foi o responsável por sua ida para o MDB. Já Witzel afirmou que Crivella, que o apoia, está fazendo um “péssimo governo”.

Segundo o Datafolha, em pesquisa divulgada nesta quinta, o ex-juiz federal, que foi o candidato mais votado no primeiro turno, tem 56% dos votos válidos, contra 44% do ex-prefeito da capital fluminense. A diferença entre os dois diminuiu de 22 para 12 pontos porcentuais numa semana, o que promete deixar a disputa mais acirrada até domingo.

Veja a seguir os melhores momentos do encontro.

Coisa de paulista

Em entrevista após o debate, Paes disse que, num dos intervalos do programa, Witzel cantou o samba “Trem das Onze” para relaxar. “Coisa de paulista”, ressaltou. O adversário nasceu em Jundiaí.

Placa de Marielle

Após o programa, Witzel voltou a dar explicações sobre sua presença no comício em que foi quebrada uma placa em homenagem a vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em março deste ano. “Jamais compactuei com qualquer episódio de violência. Quem praticou o ato que responda por ele”, afirmou. Paes o chamou de “mau-caráter” devido ao episódio.

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Nome de hospital

O candidato do DEM ressaltou que, no encontro, o adversário não respondeu a muitas de suas perguntas e demonstrou não conhecer o nome de qualquer hospital estadual.

Mar de Itaboraí

Eduardo Paes começou a entrevista coletiva após o programa fazendo uma ironia: convidou os jornalistas para passear no “mar de Itaboraí”. Diante da surpresa dos repórteres, ele explicou: “Vocês são iguais ao Witzel, não sabem que Itaboraí não tem mar”. Ele fez o comentário porque, no debate, Witzel disse que iria estimular os estaleiros localizados lá.

Fim da proximidade

Em debates do primeiro turno, Paes estava tão próximo de Pedro Fernandes, candidato do PDT, que, na Globo, os camarins de ambos foram interligados. No segundo turno, Fernandes passou a apoiar Witzel.

Despreparo

Após o debate, Paes disse a VEJA ter ficado assustado com Witzel. “Não sabia que ele era tão despreparado”, afirmou.

Bolo de fubá

Witzel, em suas considerações finais, falou que se tratava de uma luta do “bem contra o mal”, agradeceu a Deus e aos eleitores que lhe ofereceram “bolo de fubá” e “sopa de ervilha” durante a campanha.

Gritos das torcidas

Assim que Paes terminou suas considerações finais, sua torcida puxou o coro de “Volta Dudu, volta Dudu!”. O debate terminou com gritos dos dois lados. O do ex-juiz gritava “Wilson”.

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Apenas ‘relações institucionais’

O candidato do DEM tentou se desvincular de Sérgio Cabral, disse que mantinha “relações institucionais” com ele. O então governador, hoje preso, foi o responsável pela ida de Paes para o PMDB e por sua candidatura à prefeitura do Rio.

Candidato Kinder Ovo

Eduardo Paes, em suas considerações finais, voltou a ressaltar a falta de experiência de Witzel e chamou o adversário de “Kinder Ovo”: “Cada vez que abre, você acha uma surpresa”, disse, em referência às recentes acusações contra o ex-juiz.

Quase lá

Antes do último bloco, o deputado Pedro Fernandes (PDT), aliado de Witzel, tentou tranquilizar correligionários: “Estamos a quatro perguntas de ganhar a eleição”, disse. Candidato ao governo e derrotado no primeiro turno, Fernandes, ex-secretário do governador Pezão, é um dos dois assessores do ex-juiz que estão ao lado do palco.

‘Cena dantesca’

Deputado estadual mais votado do Rio, Rodrigo Amorim (PSL), que apoia Witzel, vibrou na plateia quando Eduardo Paes ressaltou que o candidato do PSC comemorara a quebra da placa com o nome da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em março. O ex-prefeito afirmou que a cena foi “dantesca”. Amorim foi um dos responsáveis pelo ato, ocorrido diante de Witzel, durante um comício. No intervalo, Amorim gravou um vídeo defendendo a retirada da placa de um poste de sinalização de ruas.

Advertência

No mesmo intervalo, seguranças da Globo advertiram as torcidas dos dois candidatos. Um advogado de Witzel de nome Márcio (ele não quis revelar o sobrenome) recebeu o aviso de que seria retirado do estúdio caso voltasse a se manifestar.

Cabral onipresente

Preso, condenado a mais de cem anos de prisão, Sérgio Cabral foi muito citado no debate. Witzel ressaltou que Paes era do grupo político do ex-governador. Já o ex-prefeito frisou que o adversário, ao deixar a magistratura, associou-se a um escritório de advocacia que representa o empresário Mário Peixoto, um grande fornecedor do estado. Paes também tem destacado que Witzel é apoiado por Marcelo Crivella.

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‘Não sou frouxo’

Wilson Witzel aproveitou sua fala sobre educação para defender o Escola Sem Partido, bandeira de Jair Bolsonaro, e declarar que Flavio Bolsonaro, filho do presidenciável que foi eleito senador do Rio, autorizou que ele usasse seu apoio declarado durante a campanha.

Eduardo Paes ironizou a fala do adversário. “Meu Deus do céu. Parece uma criança. Ficou feliz com Flavio Bolsonaro, que deixou ele usar vídeo na campanha”, disse, provocando a ira dos torcedores de Witzel. “Não me incomodo com grito de ninguém não, não sou frouxo, nem saio correndo”, respondeu Paes às manifestações da plateia. No primeiro turno, Romário já havia chamado Witzel de frouxo durante os debates, ao lembrar que o ex-juiz deixou o estado do Espírito Santo, onde atuou na área criminal, depois de ameaças de bandidos.

Olimpíada de corrupção

“O legado olímpico foi apenas um legado de corrupção”, disse Witzel ao criticar os resultados das obras feitas por Paes para a Olimpíada do Rio. O ex-juiz defendeu a expansão de moradia popular para o Arco Metropolitano, área isolada do estado e sem estrutura para habitação. Paes criticou a proposta. “Você só mostra que não entende nada de urbanismo”, disparou.

Governador de todos

No intervalo do segundo para o terceiro bloco, o deputado federal Pedro Paulo (DEM) disse a um dos assessores de Paes que estava no palco que o ex-prefeito deveria falar mais no estado como um todo, não focar apenas na cidade do Rio de Janeiro.

No ataque

Em desvantagem nas pesquisas, Eduardo Paes continuou jogando no ataque no segundo bloco do debate. Witzel, por sua vez, tentou evitar polêmicas — apenas procurou vincular o adversário ao MDB, seu antigo partido. Nos debates do primeiro turno ocorreu o contrário, o ex-prefeito tocava a bola pro lado e o candidato do PSC, até então desconhecido, fazia de tudo para levantar temas mais delicados.

Torcidas organizadas

A torcida de Paes está concentrada à esquerda de quem olha para o palco; a de Witzel, no canto oposto. As duas se manifestaram muito, com risos, aplausos e vaias.

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‘Esquema da caixinha’

Witzel voltou a falar em corrupção ao debater o tema dos transportes, lembrando do envolvimento da Fetranspor em esquemas de corrupção envolvendo Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio, cujo filho, Rafael Picciani, foi secretário de transporte de Paes. Paes se defendeu dizendo que, durante seus oito anos no governo, o “esquema de caixinha” da Fetranspor foi desmontado, arrancando risadas da torcida de Witzel na plateia.

Apoio de Crivella

Sempre que tem a oportunidade, Paes aproveita para falar que o rival é apoiado por Marcelo Crivella, prefeito do Rio que amarga altos índices de impopularidade. Witzel negou que tenha o apoio de Crivella, afirmando que ele tem feito um “péssimo governo”.

Puxando a sardinha

Eduardo Paes, ao falar de propostas, tem enaltecido seus feitos enquanto esteve à frente da Prefeitura do Rio. Uma estratégia que também repete na propaganda eleitoral gratuita.

Acordo ruim

Ao falar sobre a situação fiscal do Rio, Witzel afirmou que o acordo de recuperação fiscal “foi muito ruim” para o estado. É graças ao acordo com o governo federal que o Rio tem conseguido pagar seus servidores.

Vamos falar de propostas?

Witzel tenta escapar das perguntas de Paes ligadas ao seu passado, como o caso da dívida acumulada com o IPTU e a condenação por conta da não quitação de um empréstimo contraído com a ex-sogra. Procura levar o debate para a discussão de propostas de governo.

Dificuldades

O candidato do PSC provocou risos na plateia ao atribuir o não pagamento de IPTU às dificuldades por que passam os brasileiros. Até fevereiro, ele era juiz federal e recebia mais de 40 mil reais mensais, acima do teto do funcionalismo. VEJA mostrou que ele chegou a ficar seis anos sem quitar a maior parte das parcelas do imposto.

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‘Você não é o Moro’

Paes ironizou a atuação de Witzel como juiz criminal no Espírito Santo. “Você está sempre fazendo referências a feitos dos outros como se o senhor tivesse acabado com a corrupção. Você não é o Moro, o Bretas, a Denise Frossard”, disse, lembrando que Witzel deixou o Espírito Santo depois de sofrer ameaças de bandidos.

Amigos

As amizades “perigosas” são, até agora, o mote do debate. Witzel tem frisado que Paes é ligado ao ex-governador Sérgio Cabral e a outros políticos do MDB. O ex-prefeito ressaltou que o adversário é ligado ao pastor Everaldo Dias, presidente do PSC citado numa delação na Operação Lava Jato.

Ato falho

Ao abrir o debate, Paes ressaltou que Witzel é amigo do advogado Luiz Carlos Azenha, que transportou o traficante Nem na mala do seu carro quando a Favela da Rocinha foi ocupada. O ex-prefeito citou um diálogo entre Witzel e Azenha pelo WhatsApp e perguntou a razão de o adversário ter pedido para o amigo passar em sua casa para pegar dinheiro. O candidato do PSC evitou responder a pergunta. Na tréplica, negou ser amigo do advogado e deixou passar um ato falho: “Vamos investir na lavagem de dinheiro”. Depois, se corrigiu e falou em investigar este tipo de crime.

Diferentes

Antes do início do debate, os dois candidatos saíram do palco. Fora das câmeras, Witzel ficou quase o tempo todo parado; Paes, agitado, andava de um lado para o outro.

Sem formalidades

Deputado federal eleito, o ex-ministro Marcelo Calero (PPS) ocupou lugar na primeira fila da plateia do debate da Globo. Alinhado com Eduardo Paes (DEM), ele precisou regravar sua participação no programa de TV do ex-prefeito. O primeiro depoimento foi considerado excessivamente formal. A moda agora é demonstrar espontaneidade.

É bom já ir…

Um dos responsáveis por quebrar a placa com o nome da ex-vereadora Marielle Franco, o deputado estadual eleito Rodrigo Amorim (PSL) não se conteve ao ver Wilson Witzel (PSC) entrar no palco para a sessão de fotos. Gritou “É bom já ir se acostumando”, um dos motes da campanha do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). Amorim foi candidato mais votado para a Assembleia Legislativa.

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