Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Trump vai à Carolina do Norte ver estragos da tempestade Florence

Presidente americano tenta superar a imagem de líder insensível que criou durante a destruição de Porto Rico pelo furacão Maria

Criticado por sua insensibilidade ao tratar da destruição provocada pelo furacão Maria em Porto Rico, no ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez de sua visita de hoje à Carolina do Norte um palanque para mostrar-se capaz de reconhecer o esforço alheio, de ter empatia com as vítimas e de expressar generosidade. O estado foi o mais devastado pela tempestade Florence.

Também soube capitalizar a lógica de que o desastre poderia ser bem maior, não fosse a parceria da Casa Branca e seus fundos emergenciais. No evento organizado pela Casa Branca e pelo governo estadual, nenhuma pessoa chamada por Trump a se expressar o criticou. O presidente americano foi coberto de elogios.

“Vocês fizeram um trabalho fantástico”, repetiu Trump inúmeras vezes para as autoridades da Carolina do Norte e para membros de seu gabinete, que o acompanharam na visita ao estado. “Houve muito talento. Um monte de trabalho e um monte de talento. Sem o talento, não teria funcionado. Vocês tiveram uma combinação de trabalho duro e muita competência.”

O presidente americano classificou as inundações provocadas pelo Florence como “épicas”. Mas quem deu o número de vítimas fatais foi o governador da Carolina do Norte, Roy Cooper: 27, mais outros casos ainda em investigação, somente neste estado.

“Tivemos fazendeiros que perderam significativamente as suas plantações. Muitos negócios estão destruídos. E, claro, as pessoas perderam suas casas. Temos agora cerca de 10.000 pessoas em abrigos”, relatou o governador.

Trump aproveitou o momento para lembrar dos recursos disponibilizados pelo governo federal para a reconstrução deste e de outros estados atingidos pelo Florence. Também enumerou a ajuda não financeira: 20.000 militares e agentes federais que, em suas contas, deram assistência e resgataram mais de 3.000 pessoas, e os mais de 1,6 milhão de refeições distribuídas no estado.

Trump mencionou ainda que a energia elétrica foi restaurada para 1,2 milhão de clientes das companhias locais para a Carolina do Norte e mais 400.000 para a do Sul. Toda a ajuda foi divulgada depois pela Casa Branca, em comunicado.

O presidente fez questão de visitar algumas áreas severamente destruídas e de falar com residentes. Ele desembarcou do helicóptero em uma estação dos fuzileiros navais bem ao lado do rio Neuse, que transbordou. Trump caminhou pela River Drive, rua cujas casas foram atingidas fortemente pela tempestade em New Bern. Ao lado de uma casa de tijolos, um iate trazido pelas águas havia destruído o deque de madeira.

“É incrível o que estamos vendo. Este barco veio até aqui”, afirmou. “Eles não sabem de quem é o barco. O que diz a lei? Talvez ele se torne deles”, completou, referindo-se aos moradores da casa de tijolos.

Trump cumprimentou voluntários que distribuíam refeições aos desabrigados, mesmo sendo avesso a apertos de mãos.  Ele seguiria para a Carolina do Sul no fim desta tarde, também para ver os estragos e levar suas mensagens. Em outubro do ano passado, foi negligente sobre a ajuda necessitada – e requisitada – por Porto Rico, devastada pelo furacão Maria.

Na semana passada, o próprio Trump refutou o relatório da Universidade George Washington, que apontou 3.000 mortes provocadas pelo furacão Maria. Para Trump, não passaram de dezoito.

Problemas em casa

Mais aberto à imprensa hoje, Trump afirmou ser “muito injustas” as acusações da psicóloga Christine Blasey Ford contra o seu indicado para uma cadeira na Suprema Corte dos Estados Unidos, Brett Kavanaugh. Ford acusou Kavanaugh de ter tentado estuprá-la nos anos 1980, quando ambos eram estudantes.

Trump, porém, referiu-se a Kavanaugh como se já estivesse aprovado pelo Senado, onde ainda está em avaliação, e empossado. Chamou-o de ministro Kavanaugh três vezes, segundo o jornal The New York Times.

“De verdade, eles estão machucando a vida de alguém”, afirmou, referindo-se aos senadores, que pretendem ouvir a psicóloga e o candidato à Suprema Corte. “O ministro Kavanaugh e sua família têm sido tratados com muita dureza. Eu penso que isso é muito injusto o que está acontecendo.”

Ford pediu uma investigação prévia do FBI sobre sua denúncia contra Kavanaugh antes de ser ouvida pelos senadores. Esse pedido pode atrasar ainda mais a decisão do Senado sobre a indicação de Trump.