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Trump anuncia retirada parcial de tropas americanas no Afeganistão

Horas depois da renúncia do secretário de Defesa James Mattis, presidente comunicou o plano de retirar metade dos 14.000 americanos na região

O presidente americano Donald Trump determinou que metade dos 14.000 militares americanas no Afeganistão voltem para os Estados Unidos. A decisão ocorre em meio a intensos conflitos no país árabe, com a presença ostensiva do grupo terrorista Talibã.

Horas antes do anúncio, James Mattis, Secretário de Defesa americano, informou que vai deixar o cargo no fim de fevereiro por discordar das decisões do presidente sobre as políticas no Oriente Médio – no início da semana, Trump anunciou a retirada militar na Síria.

No ano passado, seu governo havia anunciado uma nova abordagem do conflito afegão, que já se arrasta há dezessete anos, afirmando que “uma saída apressada criaria um vácuo para terroristas, incluindo o Estado Islâmico e a Al Qaeda.”

Antes de ser candidato, o presidente americano apoiava uma retirada imediata do país, mudando de ideia ao ser aconselhado por sua equipe. “Nosso objetivo é atacar nossos inimigos, destruir o Estado Islâmico, esmagar a Al Qaeda e impedir que o Talibã tome conta do Afeganistão”, disse na época.

Muitos analistas afegãos viram a atitude como uma mudança de foco positiva na política americana. Desde então, os idealizadores da nova estratégia deixaram a administração do presidente aos poucos e muitos no Afeganistão observavam a impaciência de Trump com a falta de avanços militares.

A retirada de tropas e renúncia de Mattis vêm em meio a surtos de violência na capital afegã, Cabul, e outras áreas importantes. Os Estados Unidos conduzem conversas com representantes do Talibã, no que autoridades acreditam ser uma possibilidade de acordo formal de paz.

Nesta semana aconteceu uma reunião de dois dias entre o enviado especial dos americanos, Zalmay Khalilzad, e representantes do grupo terrorista em Abu Dhabi na qual os dois lados debateram a retirada de forças internacionais e um cessar-fogo em 2019.

A conferência “rendeu resultados tangíveis que são positivos para todos os lados envolvidos”, disse a rede pública de notícias dos Emirados Árabes Unidos em um breve comunicado na quarta-feira 19.

Entretanto, não ficou claro se uma trégua está próxima e se a notícia sugere um acordo mais abrangente.

Haroon Chakansuri, porta-voz do presidente afegão Ashraf Ghani, disse que a retirada não deve ter um grande impacto na segurança porque o papel das forças dos Estados Unidos é de assistir e aconselhar as tropas afegãs.

A presença americana no país árabe é parte de uma missão liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) conhecida como Apoio Resoluto, que ajuda no combate ao terrorismo de grupos como o Estado Islâmico e a Al Qaeda.

Além dos 14.000 americanos, cerca de 8.000 soldados de outros 38 países da Apoio Resoluto oferecem treinamento e auxílio às forças afegãs.

Com os insurgentes controlando amplas faixas do país e as forças afegãs sofrendo milhares de baixas por mês, mesmo um recuo parcial dos Estados Unidos poderia diminuir o incentivo para o Talibã fazer um acordo, comprometendo a combatividade das tropas árabes.