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Talibã confirma negociação de paz com os EUA

Rebeldes extremistas se reuniram com autoridades americanas no domingo para conversa preliminar no Catar

Líderes do Talibã se reuniram na semana passada com autoridades dos Estados Unidos para negociar o fim do conflito no Afeganistão, informou nesta segunda-feira (19) o grupo extremista islâmico. Não houve ainda acordo sobre nenhum dos temas em debate. Washington ainda não confirmou o encontro.

No domingo à noite, o enviado especial americano para a paz no Afeganistão, Zalmay Khalilzad, declarou-se “otimista, embora de maneira cautelosa”, sobre a conclusão de um acordo antes da eleição presidencial afegã, prevista para 20 de abril de 2019.

Khalilzad estava no domingo na capital afegã, Cabul, para uma segunda rodada de encontros regionais, cujo objetivo era coordenar esforços para pôr fim a 17 anos de guerra.

A reunião entre os líderes talibãs e as autoridades americanas se deu entre os dias 14 e 16 de novembro em Doha, no Catar, onde os rebeldes mantêm um escritório político. “Trataram-se de negociações preliminares, e nenhum acordo foi concluído”, declarou o porta-voz do Talibã, Zabiula Mujahid.

“Queremos tranquilizar nossa nação mujahedin e muçulmana para que saiba que os representantes do Emirado Islâmico nunca aceitará nada que não esteja de acordo com os princípios islâmicos”, acrescentou.

A reunião entre os talibãs e os Estados Unidos acontece em um momento em que os insurgentes estão intensificando seus ataques contra as forças de segurança afegãs, com números inéditos de vítimas. Desde o início de 2015, cerca de 30.000 policiais e militares afegãos foram mortos, segundo o presidente do país, Ashraf Gani.

Em declarações à imprensa no domingo, o americano Zalmay Khalilzad disse esperar que “os talibãs e outros afegãos usem a eleição presidencial como data-limite para chegar a um acordo de paz”, sem mencionar um segundo encontro com o grupo rebelde.

Khalilzad havia destacado “a complexidade das raízes do conflito”, indicando não querer “subestimar os desafios”, nem “dar falsas esperanças”.

Sua proposta, compartilhada com a diplomacia americana, é de concluir um acordo o quanto antes. Além dos Estados Unidos, a Rússia também almeja intermediar um acordo de paz entre o talibã e o governo afegão e realizou, neste mês, negociações internacionais sobre o Afeganistão, com a participação dos rebeldes extremistas.