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Talibãs prometem vingar massacre no Afeganistão

Por Da Redação
12 mar 2012, 10h49

Fawad Peikar.

Cabul, 12 mar (EFE).- Os talibãs prometeram vingar o massacre de 16 civis afegãos por um soldado dos Estados Unidos na província sulina de Kandahar, em um incidente ainda não esclarecido e que ameaça aumentar o sentimento antiamericano no Afeganistão.

‘Apoiamos as vítimas desta ação selvagem, e garantimos a seus herdeiros que nos vingaremos destes invasores e assassinos e castigaremos suas ações bárbaras’, afirmaram os talibãs em comunicado divulgado em seu site.

Os fatos aconteceram no domingo no distrito de Panjwai, onde o militar, segundo fontes oficiais, saiu de sua base de madrugada e iniciou uma incursão armada pelos imóveis civis dos arredores disparando em seus moradores.

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De acordo com fontes oficiais citadas pela imprensa americana, o suposto autor dos fatos – já detido – é um sargento de 38 anos que tinha chegado ao Afeganistão pela primeira vez em dezembro, embora contasse com experiência prévia no Iraque.

O soldado, disseram fontes militares no Afeganistão, poderia ter atuado sob os efeitos de uma crise nervosa, embora um porta-voz da missão da Otan no Afeganistão (Isaf) tenha se limitado a afirmar nesta segunda-feira à Agência Efe que a investigação está em andamento e sem novidades.

Os talibãs já tinham afirmado no domingo que o massacre foi realizado por vários militares e que causou 45 mortos, e nesta segunda-feira pediram às organizações de direitos humanos que ajudem o povo afegão a pôr fim a estes crimes.

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‘Se os autores do massacre tinham um problema mental, isto representa uma transgressão moral do Exército dos EUA, porque está armando lunáticos que disparam contra os afegãos indefesos sem pensar duas vezes’, afirmaram os insurgentes na nota.

Após o massacre, os deputados do Parlamento decidiram não se reunir em sinal de protesto por esse fato, e pediram aos Estados Unidos que ‘os autores’ sejam postos à disposição da justiça e submetidos a ‘penas duras’.

‘Isto será uma lição para todos aqueles que derramam sangue afegão sob qualquer pretexto’, afirmaram os deputados em comunicado à imprensa.

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A Isaf já lamentou o ocorrido e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se desculpou perante seu colega afegão, Hamid Karzai, mas o massacre também incitou reações da classe política afegã e um renovado receio contra as tropas internacionais.

‘Foi um assassinato deliberado e um crime imperdoável’ – afirmou na noite de domingo o próprio Karzai em uma nota de imprensa emitida por seu escritório. ‘Condenamos as operações com baixas civis, mas este soldado matou pessoas de forma proposital’, acrescentou.

A chanceler alemã, Angela Merkel, se uniu às condolências, visitou os quartéis das tropas de seu país no norte do Afeganistão e mostrou suas dúvidas sobre se poderão ser retiradas antes de 2014, segundo o calendário previsto.

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‘A vontade (de retirada) está aí e trabalhamos nisso’, disse a chanceler durante sua visita aos soldados germânicos na localidade de Mazar-e-Sharif.

O conflito afegão começou em 2001 com o objetivo de acabar com o regime talibã. Após vários anos de relativa tranquilidade, os combates e ações guerrilheiras aumentaram nos últimos tempos e milhares de civis morreram.

Os Estados Unidos e seus aliados estabeleceram um calendário para a retirada das tropas que deve ser concluído em 2014, e esse processo está acontecendo junto com uma rodada de contatos preliminares entre as potências ocidentais e representantes insurgentes no Catar.

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As autoridades afegãs mantiveram uma relação ambivalente com os países ocidentais nos últimos meses, quando aconteceram uma série de mal-entendidos que culminou com a queima de livros do Corão na principal base da Otan em solo afegão.

Essa profanação – acidental, segundo o comando da OTAN – causou uma explosão de violência e protestos antiamericanos, com manifestações de protesto convocadas em diferentes pontos do Afeganistão e 30 mortos em distúrbios relacionados.

Como aconteceu durante a queima de exemplares do Corão, os talibãs iniciaram novamente a propaganda para divulgar os fatos em Kandahar: o ‘genocídio afegão continua’, diziam no domingo em seu site. EFE

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