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Sobe para 103 número de mortos por causa de chuvas torrenciais no Japão

Melhora nas condições climáticas ajuda na busca por dezenas de desaparecidos; o desastre é uma das maiores tragédias da história recente do país

Ao menos 103 pessoas morreram em consequência das fortes chuvas na região oeste do Japão, anunciaram as autoridades nesta segunda-feira (9). As buscas por desaparecidos continuam, em bairros completamente cobertos de lama e entre os escombros de imóveis.

Das vítimas, 90 morreram durante as enchentes ou deslizamentos de terra, enquanto as outras 13 sofreram parada cardíaca e respiratória por consequência desses fenômenos, informou o porta-voz do governo Yoshihide Suga.

As autoridades temem o aumento do balanço de mortos com o avanço dos trabalhos de busca por desaparecidos.

Com a gravidade da situação, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, cancelou uma viagem que o levaria a Bélgica, França, Arábia Saudita e Egito, informou a imprensa local.

Na cidade de Kumano, a lama destruiu várias casas, que viraram pilhas de madeira. Com a trégua da chuva nesta segunda-feira, o sol começa a secar as áreas inundadas. As equipes de emergência aproveitam as melhores condições climáticas para procurar vestígios de dezenas de desaparecidos.

“Estamos retirando os escombros onde podemos. Também retiramos casas destruídas. Se não fizermos isto é impossível chegar até os possíveis sobreviventes presos nos escombros”, afirmou uma fonte militar.

Tragédia

Ao retornar para suas casas destruídas com a redução da chuva, os moradores começaram a perceber a amplitude da tragédia. Bairros inteiros estão inundados, veículos foram parar em crateras abertas em estradas devastadas, pontes foram destruídas e a lama domina o cenário.

Na cidade de Kurashiki, na província de Okayama, “parece que não há mais ninguém pedindo ajuda nos telhados das casas”, afirmou um membro das equipes de resgate.

“Os socorristas se deslocavam ontem (domingo) em barcos pela amplitude das inundações, mas a água está escoando progressivamente e, se o nível registrar uma redução suficiente, poderão chegar a zonas muito afetadas por estrada ou a pé”, disse a porta-voz da agência de gestão de catástrofes do município de Okayama. “Hoje não chove, mas temos que permanecer alertas com a lama”, insistiu.

Esta é uma das piores catástrofes do tipo nos últimos anos no Japão, com um número de vítimas que supera os 74 mortos registrados nos deslizamentos de terra de 2014, em Hiroshima. O caso dos últimos dias pode ser comparado em número de mortos a outro episódio memorável: a passagem de dois tufões em agosto e setembro de 2011, que deixaram mais de 100 mortos.

Neste domingo, após a redução das chuvas, o governo japonês retirou o estado de alerta máximo.

Situação “anormal”

As chuvas entre sexta-feira e domingo atingiram níveis recordes em 93 pontos de observação de 14 municípios.

Cinquenta e quatro mil integrantes dos corpos de bombeiro, da polícia e das Forças de Autodefesa (nome do Exército japonês) foram mobilizados para as áreas afetadas, “fazendo o máximo para salvar vidas”, destacou o primeiro-ministro Abe.

Quase cinco milhões de pessoas receberam a recomendação de deixar suas casas. “Ajudamos as pessoas retiradas de suas casas e tentamos recuperar as infraestruturas vitais como a rede de água e gás”, declarou Yoshihide Fujitani, diretor da agência de gestão de catástrofes de Hiroshima.

“É uma situação anormal diante de um risco iminente. Não se aproximem das zonas de risco, mantenham-se em alerta”, insistiu um funcionário da agência meteorológica, Yasushi Kajiwara.

Algumas fábricas (Panasonic, Mitsubishi Motors, Mazda) foram obrigadas a paralisar suas cadeias de produção na região, assim como empresas de serviços como Amazon.

O Japão costuma ser afetado por fortes frentes de chuva, além de tufões, muitas vezes mortais, que alcançam o arquipélago no verão.