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Queda de Mubarak mudaria radicalmente a relação entre o mundo árabe, Israel e potências como os EUA

Egito, que enfrenta os maiores distúrbios de sua história recente, é o país mais poderoso da região. Por isso, qualquer explosão ali terá maior repercussão

Por Cecília Araújo
28 jan 2011, 19h49

Os protestos que tomam conta do Egito há quatro dias trazem preocupação sobre as consequências da tensão que domina o mundo árabe. O país é um dos dois únicos estados árabes que tem relações com Israel – o outro é a Jordânia. Além disso, depois de Israel, é o país da região que mais recebe ajuda americana – quase 2 bilhões de dólares por ano. É esperado, portanto, que a repressão seja mais eficiente no país, do que em qualquer outro da região. Por outro lado, qualquer explosão que tenha sucesso ali ganhará maior repercussão, principalmente levando em conta a proximidade entre o Egito e seus fortes aliados: Israel e Estados Unidos. Se todo este processo ainda culminar com queda do presidente, Hosni Mubarak, há 30 anos no poder, as mudanças nas alianças podem ser mais profundas.

Os distúrbios do Egito são os mais graves da história recente do país e reivindicam o fim da lei de emergência, que vigora desde a morte do ex-presidente Anwar Sadat, e a realização de eleições parlamentares. “As manifestações têm se mostrado sérias o suficiente para serem entendidas como indicadoras do começo do fim da era Mubarak”, afirma Amin Saikal, diretor do Centro de Estudos Árabes e Islâmicos da Universidade Nacional da Austrália. Segundo ele, os próximos dias vão dizer sobre o futuro do ditador no país. “Ou ele vai ceder à oposição ou impor regras militares mais fortes”, acrescenta Saikal.

Caso Mubarak seja derrubado do poder, as consequências devem ser profundas, principalmente por estremecer o vínculo entre Egito e Israel, um aliado importante. As relações entre os países são boas há mais de 30 anos – o Egito foi o primeiro país árabe a assinar um acordo de paz com os israelenses, em 1979. Agora, Israel teme uma revolução e uma possível tomada de poder pelo grupo radical Irmandade Muçulmana – o que também desperta receio por parte dos Estados Unidos. “Nesse momento, entretanto, qualquer intervenção de outros países pode ser muito perigosa, por isso EUA e Israel estão sendo cautelosos”, pondera Edgard Leite, professor de história da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e especialista em Oriente Médio.

Além dos EUA, a queda do ditador também deve afetar a maneira em que Irã influencia o Oriente Médio, podendo provocar ainda o crescimento e a propagação de um islã militante e anti-Ocidente e, portanto, mudar a vida de 80 milhões de egípcios ou ainda se espalhar a outras nações que enfrentam protestos menores, como a Argélia e a Jordânia. “Nenhum estado quer estar na posição de ser forçado a negociar com organizações que propagam o terror”, pondera Asaf Romirowsky, especialista em Oriente Médio e membro do grupo americano Middle East Forum.

Embora mantendo a cautela, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, defendeu nesta sexta-feira o fim da censura à internet e à telefonia no país, pedindo ainda que o governo do Egito não use a força para reprimir os protestos. “Os egípcios deveriam viver em uma sociedade democrática com respeito aos direitos humanos. Nós acreditamos fortemente que eles deveriam se envolver em reformas econômicas, políticas e sociais”, declarou. A União Europeia também se posicionou a favor de reformas no Egito, indicando mudanças urgentes no país e a liberação imediata dos manifestantes detidos.

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