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Prevendo derrota, May pode reduzir importância de votação do Brexit

Primeira-ministra havia garantido decisão do Parlamento seria soberana; 'The Sun' diz que ela deseja recuar para se proteger da oposição a seu acordo

O jornal britânico The Sun publicou nesta segunda-feira, 11, um suposto plano da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, para reduzir a importância da próxima votação do Parlamento sobre seu acordo para o Brexit. Na última semana, a líder prometeu que iria respeitar a soberania da decisão parlamentar, mas a expectativa de uma nova derrota fez com que sua equipe revisasse os planos.

“Neste momento, a premiê está reunida com assessores em seu gabinete para traçar um caminho para a carnificina desta semana”, escreveu o editor de política do site, Tom Newton Dunn, em sua conta no Twitter. “Me disseram que é muito provável que ela decida mudar a votação de amanhã de significativa para provisória”, completou ele.

Ainda segundo o veículo, alguns dos aliados de May acreditam que a promessa de renúncia imediata após a saída da União Europeia é a única forma do governo angariar o apoio de opositores mais fervorosos.

Às vésperas da aguardada votação, autoridades do bloco econômico atribuíram ao Parlamento britânico a responsabilidade completa pelos próximos passos do Brexit e se disseram “comprometidos” com um acordo para que o Reino Unido deixe o grupo ainda neste mês, como inicialmente previsto.

Eles afirmaram ainda que ofereceram novas garantias em torno do polêmico backstop, a cláusula sobre a fronteira entre as Irlandas, considerado o maior empecilho ao acordo. A medida prevê que os limites da Irlanda do Norte, um território britânico, permaneceriam temporariamente sob as regras aduaneiras do bloco econômico, para evitar o retorno da hostilidade histórica com a República da Irlanda. Muitos parlamentares conservadores se opõem à iniciativa, o que enfraquece o apoio de May.

A nova votação, a segunda sobre o acordo da primeira-ministra, estava prevista para semana passada. A líder conseguiu adiá-la sob o pretexto de conseguir mudanças significativas junto à União Europeia. Na quarta-feira 6, o bloco deu 48 horas para que o governo britânico apresentasse novas emendas para os termos de saída, depois de autoridades negarem em outras ocasiões qualquer possibilidade de revisitar o texto final, debatido ao longo de 17 meses.

Em meio a especulações sobre um novo adiamento ou até sobre a possível alteração na importância da votação, o gabinete de May afirmou que cumprirá a agenda prevista, com outra “votação significativa”. Os parlamentares da oposição trabalhista e do Partido Conservador exigem que ela cumpra seu compromisso com a votação de terça.

As mudanças no acordo, que serão apresentadas à Câmara dos Comuns amanhã, devem ser publicadas no fim da tarde desta segunda-feira, 11, pela equipe do governo. O governo de May declarou que o foco da primeira-ministra é “seguir em frente com o trabalho necessário para que os parlamentares apoiem o acordo e para que esta etapa do processo chegue ao fim.”

O Reino Unido deve deixar a União Europeia no próximo dia 29 de março, mas os parlamentares já rejeitaram a proposta de acordo da primeira-ministra em janeiro e exigiram mudanças significativas no texto que sofrem resistência de autoridades europeias.

(com Reuters)