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Polícia dos EUA alerta sobre plano de nova invasão ao Capitólio

Corporação citou dados que 'mostram um possível complô de uma milícia identificada' para invadir edifício do Congresso na quinta-feira, 4 de março

Por Da Redação Atualizado em 3 mar 2021, 15h06 - Publicado em 3 mar 2021, 14h59

A Polícia do Capitólio alertou nesta quarta-feira, 3, sobre o plano de um grupo para tentar invadir na quinta-feira o edifício do Congresso dos Estados Unidos, em Washington.

Em comunicado, a corporação informou que obteve dados dos serviços de inteligência que “mostram um possível complô de uma milícia identificada para invadir na quinta-feira, dia 4 de março, o Capitólio”. Embora não tenham sido fornecidos mais detalhes sobre a ameaça, o documento afirma que “estamos levando a inteligência a sério”. 

“Já fizemos atualizações de segurança significativas que incluem o estabelecimento de uma estrutura física e um aumento do pessoal para garantir a proteção do Congresso, do público e de nossos agentes da polícia”, diz a nota.

Em  6 de janeiro, o Capitólio foi invadido por centenas de manifestantes a favor do então presidente Donald Trump durante a sessão do Senado para certificar a vitória eleitoral do democrata Joe Biden.

De acordo com a emissora CNN, a informação repassada pelo FBI, a polícia federal americana, e pelo Departamento de Segurança Nacional adverte que aumentou a discussão entre grupos extremistas, como a organização de extrema direita Three Percenters, sobre um possível plano de atacar o Capitólio no dia 4 de março.

Os apoiadores do movimento conspiratório QAnon acreditam que no dia 4 de março Trump tomará posse novamente, já que entre 1793 e 1933 a posse dos mandatários ocorria nessa data.

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Pouco depois da invasão em janeiro, a Segurança Interna dos EUA alertou para a ameaça de grupos extremistas antigoverno.

Um Boletim do Sistema Nacional de Alerta de Terrorismo (NTAS) foi emitido “devido a um ambiente de alta ameaça nos Estados Unidos”, disse o secretário de Segurança, David Peloske, à época. O dispositivo é acionado no caso de uma ameaça iminente ou elevada para a população.

“As informações sugerem que alguns extremistas violentos, com motivações ideológicas, objeções ao exercício da autoridade governamental e à transição presidencial, bem como outras queixas alimentadas por narrativas falsas, podem continuar a se mobilizar para incitar ou cometer violência”, diz o boletim.

Os extremistas também são motivados por questões que incluem as restrições contra o coronavírus, o uso da força pela polícia e uma forte oposição à imigração, de acordo com a agência. O Departamento de Segurança Interna divulgará periodicamente boletins ao público para alertar sobre ameaças potenciais à segurança nacional.

Segundo algumas agências de segurança americanas, membros do Partido Democrata e alguns republicanos, e como foi ressaltado pelo próprio presidente Biden, o ataque ao Capitólio de Washington no dia 6 de janeiro foi protagonizado por “terroristas domésticos”. Ou seja, foi um atentado cometido por cidadãos americanos contra o próprio governo para alcançar objetivos políticos por meio do medo.

Para o diretor do FBI, Christopher Wray, o extremismo da direita radical americana alcançou o patamar de “ameaça nacional prioritária”, sendo responsável por cerca de 1.000 atos terroristas por ano. Muitos são ataques dos chamados “lobos solitários”, sem relação com qualquer tipo de grupo ativista, mas a ação de alguns bandos se sobressaiu no ano passado. 

No dia da invasão ao Capitólio, além das onipresentes bandeiras de apoio a Trump, alguns manifestantes usaram cruzes das Cruzadas, símbolo usado em larga escala para mostrar crenças na supremacia branca. Outros tinham o numeral romano III no lugar das estrelas da bandeira americana, referenciando a crença de que apenas 3% dos americanos lutaram na Guerra de Independência (a vanguarda que seria necessária para, novamente, libertar o país). E, claro, seguidores da conspiração QAnon estava em toda parte.

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