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Segurança Interna dos EUA alerta para ameaça de extremistas antigoverno

Departamento divulgou um boletim sobre persistência do potencial de violência de apoiadores de Donald Trump mesmo após a posse de Joe Biden

Por Da Redação 27 jan 2021, 17h48

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira, 27, um alerta de ameaça devido ao potencial de violência por extremistas que ainda se opõem à transição presidencial, mesmo após a posse de Joe Biden.

Um Boletim do Sistema Nacional de Alerta de Terrorismo (NTAS) foi emitido “devido a um ambiente de alta ameaça nos Estados Unidos”, disse o secretário de Segurança, David Peloske. Segundo ele, o clima que deve persistir durante semanas após a cerimônia posse da quarta-feira passada. O dispositivo é acionado no caso de uma ameaça iminente ou elevada para a população.

“As informações sugerem que alguns extremistas violentos, com motivações ideológicas, objeções ao exercício da autoridade governamental e à transição presidencial, bem como outras queixas alimentadas por narrativas falsas, podem continuar a se mobilizar para incitar ou cometer violência”, diz o boletim.

Os extremistas também são motivados por questões que incluem as restrições contra o coronavírus, o uso da força pela polícia e uma forte oposição à imigração, de acordo com a agência. O Departamento de Segurança Interna divulgará periodicamente boletins ao público para alertar sobre ameaças potenciais à segurança nacional.

O último comunicado do sistema de alerta ocorreu devido a uma ameaça terrorista relacionada ao Irã em janeiro passado.

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Terrorismo doméstico

Segundo algumas agências de segurança americanas, membros do Partido Democrata e alguns republicanos, e como foi ressaltado pelo próprio presidente Biden, o ataque ao Capitólio de Washington no dia 6 de janeiro foi protagonizado por “terroristas domésticos”. Ou seja, foi um atentado cometido por cidadãos americanos contra o próprio governo para alcançar objetivos políticos por meio do medo.

Há controvérsia sobre o termo, já que, apesar de cinco pessoas terem morrido por conta do incidente – incluindo um policial –, o objetivo não parecia ser esse. Aliás, a multidão incitada pelo ex-presidente Donald Trump, que nega qualquer envolvimento no ato, não parecia ter objetivo claro.

Contudo, a presença de vários grupos extremistas de direita na invasão e sua persistência após a posse é preocupante.

Para o diretor do FBI, Christopher Wray, o extremismo da direita radical americana alcançou o patamar de “ameaça nacional prioritária”, sendo responsável por cerca de 1.000 atos terroristas por ano. Muitos são ataques dos chamados “lobos solitários”, sem relação com qualquer tipo de grupo ativista, mas a ação de alguns bandos se sobressaiu no ano passado.

A maioria dos incidentes cai na conta de militantes da direita radical. Dos 42 assassinatos cometidos por extremistas políticos em 2019, 38 foram perpetrados por grupos de direita. Durante o governo Trump, milícias armadas se proliferaram no país e ganharam confiança.

No dia da invasão ao Capitólio, além das onipresentes bandeiras de apoio a Trump, alguns manifestantes usaram cruzes das Cruzadas, símbolo usado em larga escala para mostrar crenças na supremacia branca. Outros tinham o numeral romano III no lugar das estrelas da bandeira americana, referenciando a crença de que apenas 3% dos americanos lutaram na Guerra de Independência (a vanguarda que seria necessária para, novamente, libertar o país). E, claro, seguidores da conspiração QAnon estava em toda parte.

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