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Padres são condenados a 40 anos por abuso de crianças surdas na Argentina

Após três anos das primeiras denúncias, dois de 14 réus no caso recebem sentenças por agressão sexual de menores no Instituto de Ensino Próvolo, em Mendonza

Por Da Redação - 25 nov 2019, 17h25

Dois padres foram condenados, nesta segunda-feira, 25, a mais de 40 anos de prisão por agressão sexual grave contra meninos surdos no Instituto de Ensino Próvolo, em Mendoza, um caso que abala a Igreja Católica da Argentina.

Após três anos de aparecerem as primeiras denúncias, um tribunal penal condenou o padre argentino Horacio Corbacho a 45 anos de prisão e o italiano Nicola Corradi a 42. Ambos já encontravam-se em prisão preventiva.

Nos dois casos, se considerou como agravante o fato de eles serem responsáveis pela guarda dos meninos e ministros de culto, e das vítimas serem menores de idade. 

O jardineiro do centro de ensino, Armando Gómez, também foi condenado, com pena de 18 anos de prisão, por agressão sexual.

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O julgamento começou em 5 de agosto, a portas fechadas. Nas audiências, avaliou os testemunhos de 13 vítimas, e considerou 25 casos de abusos, registrados entre 2004 e 2016. Foi descoberto que Corradi já havia sido apontado por crimes semelhantes em Verona, na Itália, sem que fosse julgado, e o Papa Francisco sabia que o padre estava administrando a escola na Argentina.

Segundo o jornal argentino El Clarín, ao ouvir o veredicto condenatório, os três réus ficaram em silêncio, olhando para baixo. Enquanto isso, os ex-alunos de Próvolo expressaram sua emoção com os braços levantados, balançando as mãos como a balança da Justiça, que em linguagem de sinais significa que a verdade foi alcançada.

É a primeira vez em 50 anos de denúncias de estupros, abuso sexual, maus-tratos e corrupção de menores que padres desta ordem religiosa com escritórios em Verona, La Plata e Mendoza são processados.

Mendonza ainda tem 14 réus divididos entre dois casos, e outras denúncias de abuso no Próvolo de La Plata (60 km ao sul de Buenos Aires) estão sob investigação. 

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O Instituto Próvolo, em Mendoza, 1.000 km a oeste de Buenos Aires, foi fechado em 2016 após as primeiras denúncias. A instituição tinha como objetivo ensinar crianças com deficiência auditiva ou distúrbios de linguagem.

(Com AFP)

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