Clique e assine com até 92% de desconto

‘Ou saímos da UE com um acordo ou não saímos mais’, diz Theresa May

Premiê divulga vídeo em momento crucial para o desfecho da questão - que oficialmente deve ocorrer até 12 de abril, embora haja um pedido por prorrogação

Por Da Redação 8 abr 2019, 01h10

Em um vídeo de pouco mais de dois minutos gravado em Downing Street, endereço oficial do governo britânico, a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, fez um apelo para que os parlamentares aprovem o acordo de retirada do país da União Europeia (UE), o chamado Brexit. “A escolha que está à nossa frente é sair da UE com um acordo ou não sair mais”, trouxe um trecho do pronunciamento divulgado durante a noite no país.

As palavras de May vêm em um momento em que ela está em tratativas com o líder do principal partido da oposição (Trabalhista), Jeremy Corbyn, para apresentar uma proposta que consiga persuadir o maior número de deputados a votarem favoravelmente à saída.

O Brexit, que estava previsto para entrar em vigor em 29 de março, foi estendido até 12 de abril a pedido dos britânicos, com o consentimento de todos os demais 27 membros do bloco. No entanto, após a terceira tentativa de aprovar o acordo do Brexit no Parlamento fracassar, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, chamou uma reunião de emergência para o dia 10, próxima quarta-feira.

  •  

     

    Na sexta-feira passada, porém, a premiê enviou uma carta a Tusk solicitando nova extensão do prazo, agora para 30 de junho, ainda que ela tenha pontuado no documento que tem todo o interesse de finalizar a situação antes do dia 23 de maio, quando estão marcadas as eleições do Parlamento Europeu. Teoricamente, se ainda fizer parte da UE, o Reino Unido terá um candidato e participará do pleito. Se já estiver fora, não fará parte do sufrágio. Theresa May precisa avançar em algo concreto para conseguir um novo aval de seus colegas europeus.

    Continua após a publicidade

    “Nos últimos dias, as pessoas têm me perguntado o que afinal de contas está acontecendo com o Brexit, e eu posso entender esse questionamento porque já faz três anos que as pessoas votaram no plebiscito para o Reino Unido deixar a União Europeia”, começou a dizer no início da gravação. Em seguida, ela comentou que fechou um acordo com os demais líderes do bloco comum, que, se aprovado pelo Parlamento, seria a base para a relação futura com a UE. “Mas o Parlamento rejeitou esse acordo por três vezes”, alfinetou, acrescentando que a postura dos deputados atualmente não a leva a crer que o Legislativo poderia aprovar o plano agora.

    A premiê lembrou, então, que os mesmos parlamentares deixaram claro que não querem a separação por meio da ruptura mais drástica, sem um acordo entre as partes. “Na realidade, nesta semana o Parlamento legislou para bloquear o ‘não-acordo'”, pontuou. Por isso, segundo ela, sobram duas possibilidades sobre a mesa agora: sair com o acordo que se tem ou desistir da separação.

    O governo está certo, de acordo com a primeira-ministra, que o Reino Unido tem de deixar a União Europeia. “Temos de entregar o Brexit”, afirmou. Isso significa, conforme a líder britânica, que é preciso encontrar um acordo “além da linha”. Theresa May justifica, então, sua aproximação com o Partido Trabalhista, o que foi muito criticado pelo seu Partido Conservador e que levou à renúncia de dois de seus ministros na semana passada. “Isso significa conversas com vários partidos.” A saída, de acordo com a premiê, acaba sendo um desejo da população, que gostaria de ver os políticos trabalhando juntos com mais frequência.

    A primeira-ministra explicou que há vários pontos em que ela não concorda com os trabalhistas em termos políticos, mas ressaltou que há pontos em comum entre o governo e a oposição quando o assunto é o Brexit. Entre eles estão o fim da livre circulação de pessoas, a garantia de que o país sairá do bloco com um bom acordo, a proteção de empregos e da segurança. “Então estamos conversando”, disse, acrescentando que isso significa compromisso das duas partes. “Mas acredito que entregar o Brexit é a coisa mais importante para nós”, afirmou, reforçando que os eleitores da separação querem que o Executivo e Parlamento finalizem o divórcio.

    “Quero fazer isso de uma boa maneira, que não cause ruptura na vida das pessoas. Que proteja os empregos, que proteja nossa segurança, que proteja o Reino Unido. E é por isso que o governo está trabalhando”, finalizou.

    (Com Estadão Conteúdo)

    Continua após a publicidade
    Publicidade