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Obama: argumento de Putin para atacar a Ucrânia “não engana ninguém”

Em Kiev, secretário John Kerry diz que, se Rússia mantiver agressão, EUA terão de agir para isolar o país “política, diplomática e economicamente”

Por Da Redação
4 mar 2014, 15h50

O presidente Barack Obama voltou a falar nesta terça-feira sobre a crise na Ucrânia e defendeu o direito de o país decidir seu próprio futuro. “Putin (presidente da Rússia) pode dizer muitas coisas, mas os fatos indicam que ele não está respeitando esse princípio”, disse Obama, acrescentando que a Ucrânia marcou eleições presidenciais para maio e que todos deveriam investir em “eleições livres e justas” no país.

Durante entrevista concedida em Washington, Obama criticou a “intromissão” da Rússia na Crimeia, para onde o Kremlin enviou tropas sob a alegação de que é preciso defender a população de etnia russa que vive na república autônoma. Para o presidente americano, essa “intromissão” afastaria outros Estados de Moscou.

Ele acrescentou que o argumento de Putin para sua incursão na Crimeia “não está enganando ninguém”. “Há uma forte percepção de que a ação da Rússia viola as leis internacionais. O presidente Putin parece ter um grupo diferente de advogados fazendo interpretações diferentes. Mas, na minha opinião, ele não está enganando ninguém”, disse.

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“A comunidade internacional condenou a violação da integridade territorial e da soberania da Ucrânia. Nós condenamos a intervenção russa na Crimeia. E fazemos um apelo por um recuo na situação e pelo envio imediato de observadores internacionais. Todo mundo reconhece que, mesmo que a Rússia tenha interesses legítimos sobre o que se passa em um país vizinho, isso não lhe dá o direito de recorrer à força para exercer sua influência”.

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Em Kiev, o secretário de Estado John Kerry voltou a demonstrar o apoio americano “ao povo ucraniano”. “Os Estados Unidos reafirmam seu comprometimento com a soberania e a integridade territorial da Ucrânia. Com base na lei internacional, condenamos o ato de agressão da Rússia”, disse, acrescentando que o governo russo tenta fazer com que se acredite que suas ações são legítimas. “O ponto principal é que a diplomacia, não a força, é capaz de resolver disputas como esta no século XXI”.

Sanções – Segundo Kerry, como o país escolheu não recuar, os Estados Unidos e seus aliados “não teriam escolha” a não ser agir para isolar o país “política, diplomática e economicamente”. As palavras fazem eco à advertência de Obama na véspera, quando também ameaçou isolar Moscou. “Não é apropriado invadir um país e, com o cano de uma arma, ditar o que você está tentando alcançar”, ressaltou, em declarações reproduzidas pelo jornal The New York Times.

Em entrevista a uma emissora italiana, a ex-premiê ucraniana Yulia Tymoshenko fez um apelo às potências ocidentais para que imponham sanções contra a Rússia. “Esforços diplomáticos não são suficientes. Eu acho que é preciso impor sanções econômicas contra a Rússia. Especialmente se houver uma escalada de violência”, disse ao SkyTG24. (Continue lendo o texto)

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Enquanto os EUA ameaçam impor as sanções, a União Europeia tenta evitar que elas sejam necessárias. Nesta terça, a chefe da diplomacia do bloco, Catherine Ashton, disse ter tido “conversas proveitosas” com o chanceler russo Sergei Lavrov durante um encontro em Madri. Também salientou que a ameaça de sanções contra o país era “contraprodutiva”.

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A Rússia, por sua vez, avisou que vai retaliar qualquer sanção imposta pelos Estados Unidos. “Teremos de responder”, disse Alexander Lukashevich, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. “Como sempre em situações como esta, provocadas por ações imprudentes e irresponsáveis de Washington, ressaltamos: esta não é uma escolha nossa”.

Telecomunicações – O chefe de segurança ucraniano, Valentin Nalivaichenko, disse que o sistema de telecomunicações do país foi alvo de ataque a partir de um equipamento instalado na Crimeia para interferir nos telefones celulares, o que afetou alguns serviços telefônicos e de internet. Segundo ele, o ataque teve parlamentares como alvo específico. A empresa de telecomunicações Ukrtelecom confirmou que algumas de suas instalações na Crimeia foram invadidas na sexta-feira.

(Com agência Reuters)

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