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No interior da ‘célula de crise’

VEJA teve acesso ao salão dentro da École Militaire, aos pés da Torre Eiffel, onde familiares descobrem o paradeiro das vítimas dos atentados e recebem acompanhamento psicológico

A École Militaire é um vasto conjunto de edifícios construídos no tempo de Luís XV. Tem uma das mais belas perspectivas de Paris, aos pés da Torre Eiffel. Em um de seus salões foi instalado a chamada “célula de crise” da cidade depois dos atentados de sexta-feira, 13 de novembro. É um dos endereços mais carregados de drama, cercado por militares armados em permanente vigília. VEJA teve acesso ao lugar para onde afluem, desde a madrugada de sábado, 14, os familiares de pessoas que sabidamente morreram, estão feridas ou desaparecidas. Funcionários do serviço municipal de saúde acompanham as pessoas em vans que fazem o percurso do portão ao toldo principal.

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Dá-se o nome da vítima que está sendo procurada. De dois computadores saem a lista de 132 mortos e 352 feridos. Uma rápida consulta entrega o status quo de quem foi atingido pelo terrorismo. Em menos de dez minutos, tempo que VEJA pôde permanecer no recinto, a pelo menos dois grupos de familiares foi confirmada a morte de quem buscavam informações. Duas adolescentes, cercadas por assistentes sociais, se jogaram no chão, desesperadas com a má notícia. Depois, foram levadas a um grupo de psicólogos destinados a atender os casos mais dramáticos – eles conversam também com pessoas que, mesmo não estando em hospitais, foram testemunhas dos atentados, nos dois bares próximos ao Canal de Saint Martin ou na casa de espetáculos Bataclan.

Olhos marejados dão o tom. Mesmo profissionais experientes reconhecem as dificuldades. “Não é fácil, temos de ser frios para anunciar as mortes, e ao mesmo tempo calorosos para oferecer amparo”, disse uma assistente social que preferiu não se identificar, lágrimas a cair. “Essas pessoas precisam o mais rapidamente falar, contar o que viram. Um atentado, para quem o presencia, resulta em uma gama de emoções: a dor, o espanto, a sideração, e mesmo a perda de referências espaço-temporais”, diz Guillaume Denoix de Saint Marc, diretor geral da Associação Francesa de Vítimas de Terrorismo.