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Investigação da ONU aponta Assad como criminoso de guerra

É a primeira vez que a Comissão de Investigação das Nações Unidas menciona diretamente o ditador sírio

Por Da Redação - 2 dez 2013, 13h39

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, declarou, pela primeira vez, que provas “indicam a responsabilidade” do ditador sírio, Bashar Assad, em crimes de guerra e contra a humanidade no conflito em seu país. “A Comissão de Investigação produziu uma enorme quantidade de evidências sobre crimes de guerra e contra a humanidade. Essas provas indicam uma responsabilidade no mais alto nível de governo, incluindo o chefe de Estado”, disse Pillay nesta segunda-feira durante uma coletiva de imprensa. A alta comissária também afirmou que gostaria que fosse aberta uma investigação criminal “nacional ou internacional” para julgar os responsáveis ​​pelos crimes.

A Comissão de Investigação foi criada em 22 de agosto de 2011 por uma resolução do Conselho de Direitos Humanos e tem como função investigar todas as violações aos direitos humanos no conflito na Síria e identificar seus responsáveis para que sejam futuramente julgados. Em seu último relatório, publicado em 11 de setembro, a Comissão, presidida pela ex-procuradora internacional da ONU Carla del Ponte, acusou o regime de Damasco de crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Em várias ocasiões, membros da Comissão acusaram altos funcionários do regime sírio, mas nunca nomearam esses responsáveis e nem mencionaram diretamente o chefe de Estado.

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A Comissão, que nunca foi autorizada a visitar a Síria, baseou seu trabalho em mais de 2 000 entrevistas realizadas desde a sua criação com pessoas envolvidas no conflito na Síria e em países vizinhos. Ela também criou uma lista confidencial – atualizada várias vezes – com o nome de pessoas suspeitas de cometer crimes na Síria. Esta relação foi enviada à alta comissária da ONU, que não a divulgou. Somente depois de aberta uma investigação formal, para respeitar a presunção de inocência, a lista poderá ser publicada, explicou a comissária da ONU.

Vítimas – A ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) anunciou nesta segunda-feira que quase 126 000 pessoas morreram no conflito na Síria desde março de 2011. O total inclui 44 300 civis, com mais de 6 600 crianças e 4 450 mulheres, segundo o OSDH, que tem sede na Grã-Bretanha.

O OSDH também inclui no total mais de 27 700 combatentes opositores e mais de 50 900 combatentes leais ao regime de Assad. A mobilização contra o regime de Assad começou em março de 2011, antes de virar, meses depois, uma rebelião armada e violenta.

Também nesta segunda-feira, a Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho advertiram que um milhão de sírios carecem de alimentos básicos, já que a guerra civil dificulta a entrega de ajuda humanitária. “Uma estimativa prudente situa em um milhão o número de pessoas sem alimentos”, declarou Simon Eccleshal, da Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. O Crescente Vermelho Árabe Sírio “tem acesso regularmente a apenas 85% do território da Síria”, disse Eccleshal.

(Com agências EFE e France-Presse)

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