Clique e assine a partir de 9,90/mês

Incêndio em Beirute atinge prédio desenhado pela arquiteta Zaha Hadid

Capital libanesa, que ainda se recupera da grande explosão de 4 de agosto, já registrou três incêndios só nesta semana

Por Da Redação - Atualizado em 15 set 2020, 15h59 - Publicado em 15 set 2020, 15h57

Um prédio em construção no centro de Beirute, projetado pela empresa da premiada arquiteta Zaha Hadid, sofreu um incêndio por causas ainda desconhecidas nesta terça-feira, 15. O caso é o terceiro em uma semana na capital libanesa, que ainda se recupera da grande explosão ocorrida em 4 de agosto.

“Não sabemos as razões para a origem do fogo, mas só levou meia hora para extingui-lo”, disse George Abou Moussa, chefe de operações da Defesa Civil do Líbano. Não há relatos de feridos, segundo autoridades locais. 

De acordo com Moussa, 50 pessoas, entre integrantes da Defesa Civil e bombeiros, trabalharam para extinguir as chamas no edifício, “que se encontra em obras” há anos e estava projetado para ser um centro comercial. As chamas foram contidas e não chegaram a outros imóveis próximos. 

Boa parte da parte externa do edifício, de formato oval e próximo à principal rua que passa pelo porto, foi queimada. O projeto possui traços marcantes da arquiteta iraquiana-britânica, primeira mulher a ganhar o renomado Prêmio Pritzker. Ela morreu em março de 2016. 

“É terrível. É inacreditável”, disse Joe Sayegh, que se exercitava em uma corrida pela cidade e se deparou com a cena, à rede Al Jazeera. “Todos os dias nós temos um problema”. 

Continua após a publicidade

Na quinta-feira 10, um armazém de pneus no porto de Beirute pegou fogo e gerou uma grande coluna de fumaça negra, dois dias após um outro pequeno incêndio na mesma área. O evento espalhou pânico entre os libaneses, ainda em choque pela letal e devastadora explosão que traumatizou a capital há cinco semanas. 

Os incêndios acontecem pouco mais de um mês depois da explosão que matou mais de 170 pessoas e deixou outras 6.000 feridas no porto da capital. A detonação foi causada por 2.750 toneladas de nitrato de amônio que estavam armazenadas de forma incorreta. Há duas semana passada, os bombeiros ainda buscavam um sobrevivente nos destroços deixados pela explosão. Após dias de grande comoção, as buscas foram encerradas no domingo 6.

A explosão agravou a situação em um país já em crise política e econômica, provocando a renúncia do gabinete do então primeiro-ministro Hassan Diab, em 10 de agosto. Três semanas depois, em 31 de agosto, Mustapha Adib, embaixador libanês na Alemanha, foi escolhido como novo premiê.

Adib se comprometeu a formar “em tempo recorde” um ministério de “especialistas competentes”, para aplicar as “reformas” que os cidadãos aguardam há tanto tempo. 

No ano passado, a dívida estatal alcançou 152% do PIB, o desemprego atingiu 30% da população e a crise se tornou cada vez mais perceptível nas ruas das grandes cidades, onde multiplicaram-se cenas de famílias vasculhando o lixo por comida. Atualmente um terço da população de 6 milhões vive abaixo da linha de pobreza, e a expectativa é que em breve 50% dos libaneses podem enfrentar tais condições. 

Continua após a publicidade
Publicidade