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Funeral de oficial nazista é alvo de protestos na Itália

Condenado por massacre de civis, Erich Priebke morreu na semana passada

Por Da Redação - 15 out 2013, 18h56

O funeral do ex-oficial nazista Erich Priebke foi suspenso nesta terça-feira após confrontos entre manifestantes na cidade de Albano Laziale, cerca de 25 quilômetros ao sul de Roma, na Itália. Centenas de pessoas gritando “assassino” atacaram o carro que levava o corpo para a sede da Fraternidade São Pio X, grupo dissidente que rejeita as reformas instituídas pelo Concilio do Vaticano II. Alguns neonazistas tentaram se infiltrar para prestar homenagens e a polícia teve de intervir para conter os conflitos.

Priebke, um ex-capitão da SS, a força de elite da polícia nazista, morreu na semana passada, aos 100 anos. Ele cumpria pena de prisão perpétua na Itália desde os anos 90, quando foi condenado pela participação no massacre de 335 civis.

O prefeito da cidade, Nicola Marini, tentou proibir o funeral, que qualificou como uma “ofensa à cidade”, mas o chefe da Fraternidade na Itália defendeu a organização da cerimônia, dizendo que todo cristão tem direito a um funeral. A expectativa é que o corpo seja cremado na capital italiana, depois que várias cidades rejeitaram enterrar o ex-oficial nazista. Entre elas estão a própria Roma, onde ele cumpria pena; Bariloche, na Argentina, onde ele viveu por décadas; e sua cidade natal, Hennigsdord, próxima a Berlim.

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Histórico – Antes da sua morte, Priebke vinha cumprindo a pena em regime domiciliar em um apartamento em Roma desde 1999. No ano anterior, ele havia sido condenado pelo episódio da II Guerra Mundial que ficou conhecido como o Massacre das Fossas Ardeatinas.

O massacre dos civis italianos, que ocorreu em 24 de março de 1944, foi ordenado pessoalmente pelo ditador Adolf Hitler, que havia ficado furioso com a morte de 33 soldados alemães em um ataque de guerrilheiros na região de Roma.

Como represália, dez civis teriam que ser executados para cada alemão morto. O local escolhido para os ataques foram os túneis de uma antiga pedreira próximo da via Ardeatinas, nos subúrbios de Roma. As vítimas acabariam sendo escolhidas, em sua maioria, em prisões da região, e incluíam 70 judeus. Ao todo, 335 civis (todos homens e totalizando cinco a mais do que o determinado orginalmente) foram recolhidos pelos guardas da SS liderados por Priebke e por outro oficial da SS, Karl Hass.

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Após a guerra, Priebke conseguiu fugir para a Argentina, entrando no país com uma identidade falsa. Menos de um ano depois, no entanto, voltaria a usar seu nome verdadeiro. Ele conseguiu permanecer na obscuridade por décadas trabalhando como professor na cidade de Bariloche até ser localizado por uma equipe de jornalistas americanos, em 1994. Após ser descoberto, ele acabou sendo extraditado para a Itália.

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