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Fragmentos de um Manuscrito do Mar Morto inédito são apresentados

Cerca de 900 partes de textos estavam guardadas em caixas de charuto, usadas no passado por arqueólogos. Uma delas traz um trecho do Salmo 147

Por Da Redação 2 Maio 2018, 13h17 | Atualizado em 3 jul 2026, 20h54
Fragmentos de um Manuscrito do Mar Morto inédito são apresentados Priorizar nos meus resultados Google

Fragmentos de um Manuscrito do Mar Morto possivelmente inédito foram identificados graças a uma tecnologia especificamente desenvolvida pela Nasa para esta investigação, informaram nesta quarta-feira (2) pesquisadores da Universidade Hebraica, em  Israel

Tratam-se de centenas de pequenos fragmentos armazenados em caixas de charuto, estudados durante os últimos anos pelo doutorando Orem Ableman, da Unidade dos Manuscritos do Mar Morto da universidade. O material foi exibido no simpósio internacional que celebra os 70 anos do descobrimento dos milenários Manuscritos de Qumran.

“Em Qumran, foram encontrados inicialmente cerca de 900 manuscritos, uma coleção muito grande, alguns em boas condições, mas a maioria muito fragmentado e mal conservado”, explicou Beatriz Riestra, pesquisadora da mesma unidade.

“São obras literárias religiosas, cópias mais antigas em hebraico do Antigo Testamento e outro tipo de literatura religiosa de uma época muito importante tanto para o judaísmo como para o cristianismo.”

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Beatriz explicou que os novos fragmentos não podem ser imediatamente considerados parte dos manuscritos já conhecidos. Há possibilidade de pertencerem a outro novo manuscrito, sobre o qual ainda não há conhecimento.

Mas há alguns que podem fazer parte dos já conhecidos Manuscritos do Mar Morto. Como citou o jornal The Times of Israel, um dos fragmentos contém a palavra hebraica “zamra” e foi identificado como uma possível parte perdida dos pergaminhos “Grandes Salmos”, a maior e mais bem preservada peça dos Manuscritos de Qumran.

A palavra “zamra”, explica o jornal, aparece somente  no Livro dos Salmos. “O novo fragmento preserva parte do início do Salmo 147:1“, informou os organizadores da conferência. “É um pouco menor do que o texto hebraico normalmente disponível hoje em dia.”

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Datados de 2 mil anos e pertencentes à caverna número 11 do complexo de Qumran, os fragmentos foram armazenados em caixas de charutos porque “os arqueólogos dos anos 50 (quando foram descobertos os primeiros manuscritos) as usavam para armazenamento”, explicou Ableman ao jornal The Times of Israel.

O especialista estudou os minúsculos restos de pele escura, que não tinham sido limpados e nem tratados, com a ajuda de um scanner multiespetral, desenvolvido pela Nasa para o laboratório israelense.

“Este tipo de scanner nos permite ler o que é invisível a olhos nus, graças aos raios infravermelhos. Eles nos permitem apreciar traços de letras aparentemente não visíveis”, explicou Beatriz Riestra.

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Os chamados Manuscritos do Mar Morto foram descobertos por beduínos em 1947 em cavernas em Qumran, no deserto da Judeia, em Israel. Estavam guardados em vasos de cerâmica longos e cilíndricos. Entre esses documentos estava uma cópia do Livro de Isaías, que teria sido elaborada em 125 a 100 antes de Cristo.

Entre 1947 e 1956, 930 manuscritos foram extraídos de 11 cavernas de Qumran. Os textos foram escritos entre 250 antes de Cristo e 68 depois de Cristo. Havia, nesse conjunto, cópias de livros da Bíblia antiga – como os Salmos, o Deuteronômio e o Gênesis – e textos vinculados à nascente doutrina cristã. Há ainda descrições de rituais da suposta seita da comunidade que reuniu e armazenou o material. Para muitos pesquisadores, trata-se dos essênios, um ramo do judaísmo.

Os Manuscritos do Mar Morto são considerados a maior descoberta arqueológica do século 20. Estão guardados no Santuário do Livro, no Museu de Israel, em Jerusalém. Boa parte deles foi publicada pela Oxford University Press, entre 1955 e 2009.

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(Com EFE)

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