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Ex-presidente ucraniano pede proteção à Rússia

Segundo agências de notícias russas, Yanukovich estaria em Moscou. Governo russo teria aceitado protegê-lo

(Atualizado às 12h15)

O ex-presidente da Ucrânia Viktor Yanukovich pediu proteção à Rússia. “Eu ainda me vejo como o chefe legítimo do Estado ucraniano”, disse, segundo declarações divulgadas por agência de notícias russas. “Agora está ficando claro que o povo do sudeste da Ucrânia e da Crimeia não aceita o vácuo de poder e a completa ilegalidade no país, quando os nomes para os ministérios foram apontados pela turba”, afirmou Yanukovich, pedindo às autoridades russas segurança pessoal contra “as ações de extremistas” e alertando para a possibilidade de um conflito armado no país.

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Um funcionário do governo russo teria confirmado que o Kremlin aceitou o pedido de proteção, segundo informação da agência Associated Press, que baseia a informação em três agências de notícias russas que não identificaram a fonte, mas afirmaram que o ex-presidente está em Moscou. Depois de fugir de Kiev, na última semana, Yanukovich foi destituído do cargo e passou a ser considerado foragido pelo governo interino. Ele abandonou a capital em meio a confrontos entre as forças de segurança e manifestantes que protestavam contra seu governo. As manifestações tiveram início em novembro do ano passado, depois que Yanukovich optou por se aproximar da Rússia, abrindo mão de um acordo com a União Europeia. (Continue lendo o texto)

​Crimeia – Após a saída do presidente, a Crimeia se tornou o novo foco de tensões. Nesta quinta, um grupo armado tomou as sedes do Parlamento e do governo da república autônoma, que fica no sul do país, e içou bandeiras russas no alto dos prédios. A península banhada pelo Mar Negro pertenceu à Rússia até 1954 e ainda abriga uma base naval russa. Ontem, a maioria de etnia russa foi às ruas a favor da independência da região. Houve confrontos com manifestantes pró-Kiev e uma pessoa que participava dos protestos morreu, aparentemente após sofrer um ataque cardíaco. Nesta quinta, o Ministério da Saúde da Ucrânia informou que duas pessoas foram mortas e 35 ficaram feridas nos conflitos perto do Parlamento da Crimeia nos últimos dias, informou o jornal britânico The Guardian.

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Depois da ocupação do parlamento regional, o presidente interino Olexander Turchinov alertou a Rússia contra qualquer “agressão militar” na Crimeia. Ele ressaltou que as tropas não devem sair da base naval em Sebastopol. “Qualquer movimentação militar, mais ainda se for armada, para além das fronteiras deste território (da base), será vista por nós como uma agressão militar”, disse o presidente interino, um dia depois de Moscou colocar em alerta máximo 150.000 soldados perto da fronteira com a Ucrânia.

Parlamento confirma premiê – As lideranças das manifestações que tomaram a capital desde novembro indicaram ontem os nomes para o governo interino, que tiveram a aprovação da multidão pró-Europa. Para o cargo de primeiro-ministro, o apontado foi Arseniy Yatsenyuk, chefe do partido da ex-premiê Yulia Tymoshenko, que teve seu nome confirmado no posto em votação no Parlamento, nesta quinta.

À rede britânica BBC, Yatsenyuk disse que está comprometido em manter a Ucrânia como um país unido. “Pedimos para nossos parceiros russos para cumprirem suas obrigações. Acreditamos que a Rússia não deve nunca intervir em assuntos internos e vamos reprimir qualquer tentativa de dividir a Ucrânia”.

(Com agência Reuters)