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EUA desistem de lei que poderia deportar estudantes estrangeiros

Política que revogaria vistos de alunos internacionais em cursos 100% online foi duramente contestada por universidades e estados americanos

Por Da Redação - Atualizado em 14 jul 2020, 18h10 - Publicado em 14 jul 2020, 18h03

O governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, abandonou nesta terça-feira, 14, uma política que obrigaria estudantes estrangeiros a deixar o país, se eles não frequentassem aulas presencias com a retomadas das atividades escolares. O plano causou tumulto na esfera do ensino superior, levando a processos contra a Casa Branca.

A medida foi anunciada na última segunda-feira 6 e imediatamente contestada pela Universidade de Harvard e pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (M.I.T.). Uma semana depois, ao menos 17 estados americanos abriram um processo contra a administração de Trump, alegando que a política era imprudente, cruel e sem sentido – sendo apoiados por diversas universidades e organizações que representam estudantes internacionais.

Nesta terça-feira, 14, o governo e as universidades chegaram a um acordo que se aplica a todo o país, segundo o jornal americano The New York Times. Ele restabelece uma política implementada em março, devido à pandemia, por meio da qual estrangeiros têm flexibilidade para fazer todas as aulas on-line e permanecer legalmente no país com vistos de estudante.

A adoção de aulas on-line é uma medida preventiva para impedir a disseminação do coronavírus. Os Estados Unidos são o país mais afetado pela pandemia, com quase 3,4 milhões de casos.

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Também nesta terça-feira, cerca de 12 empresas de tecnologia, incluindo Google, Facebook e Twitter, apoiaram as instituições Harvard e M.I.T., argumentando que a política prejudicaria seus negócios.

“A competitividade futura dos Estados Unidos depende da atração e retenção de estudantes internacionais talentosos”, disseram as empresas em documentos judiciais.

O anúncio emitido pela Agência de Execução de Imigração e Alfândega (ICE) exigiria que estudantes estrangeiros fizessem pelo menos uma aula presencial ou deixassem o país. Além disso, alunos que retornaram aos seus países de origem quando as escolas fecharam em março não teriam permissão para voltar aos Estados Unidos se seus cursos reiniciassem integralmente on-line em outubro.

“O governo Trump nem tentou explicar a base dessa regra sem sentido, que obriga as escolas a escolher entre manter seus estudantes internacionais matriculados e proteger a saúde e a segurança em seus campi”, disse Maura Healey, a procuradora-geral do Massachusetts. Algumas instituições, como a própria Universidade de Harvard, já anunciaram que todas as aulas do ano letivo de 2020-2021 serão ministradas à distância.

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