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EUA: Cerca de 20.000 estrangeiros combatem na Síria

Relatório do Centro Nacional Antiterrorismo americano informa que o fluxo de estrangeiros que se juntam aos jihadistas chegou a um "ritmo inédito"

Os Estados Unidos acreditam que cerca de 20.000 estrangeiros procedentes de noventa países estão na Síria ajudando o grupo jihadista Estado Islâmico ou outros grupos extremistas. O fluxo de estrangeiros que vão ao Oriente Médio se juntar aos extremistas atingiu “um ritmo inédito”, disse um alto funcionário da inteligência americana. A estimativa é ligeiramente mais alta que a prevista até agora, de 19.000 estrangeiros, segundo o Centro Nacional Antiterrorismo americano (NCTC, na sigla em inglês). O ritmo de chegadas é “sem precedentes” em comparação com outras zonas de conflito como Afeganistão e Paquistão, Iraque, Iêmen ou Somália, disse Nicolas Rasmussen, diretor do NCTC, em parecer divulgado antes de uma audiência, nesta quarta-feira, no Comitê de Segurança Nacional da Câmara de Deputados.

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“Estimamos que ao menos 3.400 destes combatentes estrangeiros vêm de países ocidentais, entre eles cerca de 150 americanos”, avaliou Rasmussen. O número de aspirantes a viajar também está aumentando, disse. “As tendências são claras e preocupantes”, estimou Rasmussen, que chamou a atenção para o fato de que “os campos de batalha no Iraque e na Síria proporcionam a combatentes estrangeiros experiência de combate, armas e treinamento com explosivos e o acesso a redes terroristas que possam estar planejando ataques dirigidos contra o Ocidente”.

Refém morta – O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta terça-feira que seu governo tentou resgatar no ano passado em uma operação a agente humanitária Kayla Mueller, que estava entre os reféns americanos capturados pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI). “Dedicamos enormes recursos para libertar Kayla e sempre dedicamos enormes recursos para libertar reféns e prisioneiros em qualquer canto do mundo”, afirmou Obama em uma entrevista ao site Buzzfeed. “Precisamente porque temos esse compromisso, eu ordenei o desdobramento de toda uma operação, com risco significativo, para resgatá-la, não só ela, mas os outros indivíduos que também haviam sido capturados”, acrescentou o chefe de Estado americano.

Os EUA revelaram em agosto do ano passado que tinham lançado uma missão secreta na Síria para conseguir a libertação de vários reféns, entre eles o jornalista americano James Foley, sequestrado na Síria em 2012 e decapitado em 2014, mas a missão não teve sucesso porque não se acertou em sua localização. Obama explicou que entre esses reféns também estava Kayla Mueller, de 26 anos e que teve sua morte confirmada hoje pela Casa Branca. O presidente defendeu a política do governo dos Estados Unidos de não pagar resgates em troca da libertação de reféns americanos no exterior. No entanto, os pais de Kayla estavam arrecadando fundos com esse fim.

Obama disse que, apesar de outros governos considerarem o pagamento de resgate para organizações como o EI, os Estados Unidos se manterão firmes em sua política sobre essa questão. “A razão é que, uma vez que comecemos a fazê-lo [pagar resgates], não só estaremos financiando o assassinato de gente inocente e fortalecendo sua organização, mas estaremos fazendo com que os americanos sejam ainda mais visados em futuros sequestros'” acrescentou. Obama confessou que a notícia da morte de Kayla “partiu seu coração” e a descreveu como “uma jovem extraordinária, cujo grande espírito continuará vivo”. Kayla é o quarto refém americano do EI que morreu, e a Casa Branca confirmou que tem conhecimento de pelo menos outro cidadão do país retido no Oriente Médio, mas evitou precisar o país e a identidade de seus sequestradores.

(Com agências France-Presse e EFE)