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Estupro, mutilação e jacarés: a nova denúncia contra Epstein e Ghislaine

Mulher turca acusa o milionário, achado morto em cela, de tê-la estuprado diante de seu filho de oito anos, com ajuda da socialite, que segue presa nos EUA

Por Da Redação 31 mar 2021, 15h16

Peça central do escândalo de pedofilia liderado pelo milionário americano Jeffrey Epstein, a socialite britânica Ghislaine Maxwell segue presa em Nova York, nos Estados Unidos, e enfrenta novas e macabras denúncias, enquanto aguarda o seu julgamento. Uma mulher do sul da Flórida entrou recentemente com um processo acusando Epstein, que foi achado morto em sua cela em agosto de 2019, e sua então namorada Ghislaine, de estuprá-la na frente de seu filho de oito anos e ameaçá-la das mais variadas formas.

Segundo informações do jornal Miami Herald da última terça-feira, 30, a acusadora identificada apenas como “Jane Doe” protocolou a denúncia no último dia 22. Ela alega que, no início de 2008, foi repetidamente estuprada por Epstein e Ghislaine em um hotel em Naples, na Flórida, diante de seu filho, e que foi obrigada a fazer sexo com outros homens.

Doe, uma mulher nascida na Turquia, fez outra alegação escabrosa: a de que foi obrigada a se submeter a uma cirurgia vaginal para se passar por virgem para “clientes importantes”. Ela disse ter sido mutilada pela intervenção, realizada na “casa de uma pessoa rica, por um homem com sotaque russo.”

A suposta vítima diz ter conhecido Epstein e Ghislaine em um churrasco oferecido por seu chefe em 2007. Na época, ela tinha 26 anos e trabalhava como cabeleireira e corretora de imóveis e passou a negociar uma propriedade com Epstein, que teria lhe oferecido presentes caros e bons empregos para seu marido, em troca de sua companhia.

Ela contou que, em janeiro de 2008, concordou em cortar o cabelo de Epstein, em uma das noites em que acabaria estuprada com a ajuda de Ghislaine Maxwell. A socialite teria mostrado a coleção de armas de Epstein e confiscado seu passaporte, em claros gestos de intimidação.

A suposta vítima contou ainda que dois homens vestidos de policiais chegaram a ameaçar prendê-la por acusação de trabalho sexual, além de uma última bizarra situação: disse ter sido levada até um lago repleto de jacarés e ter ouvido de Epstein que, caso revelasse algum detalhe dos crimes, acabaria sendo comida pelos répteis “como outras mulheres”.

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  • O histórico de uma parceria criminosa

    A acusação foi anexada ao extenso processo judicial contra Ghislaine Maxwell. Na última segunda-feira, 29, o grande júri a acusou de ter se despido diante de garotas de 14 anos e instruído as jovens a participar de massagens sexuais com Epstein. Detida desde julho de 2020 no Metropolitan Detention Center em Brooklyn, Nova York, Ghislaine enfrenta uma série de acusações de tráfico de menores e perjúrio. Seu julgamento está marcado para julho.

    Ghislaine Maxwell, filha o magnata da imprensa Robert Maxwell, dono do grupo Mirror (também morto em circunstâncias suspeitas), nega envolvimento no recrutamento das jovens para Epstein, de quem foi namorada ou amiga próxima, ao longo de três décadas. No entanto, mais de 30 depoimentos em mãos da Justiça de Nova York relatam convites para “massagens” que terminavam em sexo e aliciamento de menores, protagonizados por Epstein.

    Segundo as denúncias, era Ghislaine quem cuidava pessoalmente de atrair, convencer, dar presentes e sustentar as adolescentes aliciadas em shopping centers e perto de escolas para alimentar o apetite sexual de Epstein — e dela mesma, segundo algumas das vítimas, que tinham entre 14 e 17 anos na época.

    O escândalo respingou em diversos poderosos que  orbitavam ao redor de Epstein e Ghislaine, como o príncipe Andrew, filho da rainha Elizabeth, e os ex-presidentes americanos Bill Clinton e Donald Trump, que marcaram presenças em algumas das badaladas festas pelas mansões do empresário mulherengo.

    Recentemente, Ian Maxwell, irmão de Ghislaine, pediu que ela fosse libertada e fez críticas ao sistema carcerário americano. “Para qualquer pessoa familiarizada com o sistema britânico, o americano é simplesmente bizarro, francamente, cruel. Minha irmã é mantida nas condições mais terríveis e submetida a um tratamento brutal e incomum, mesmo cumprindo prisão preventiva ”, afirmou, ao tabloide britânico Daily Telegraph.

    Ian Maxwell disse ainda que sua irmã emagreceu nove quilos e está perdendo cabelo e sua capacidade de concentração. Ele reiterou a intenção de Ghislaine de renunciar à cidadania inglesa e francesa (ela nasceu na França e cresceu no Reino Unido), em uma tentativa de garantir à Justiça americana que não fugiria do país caso fosse liberada mediante pagamento de fiança. A juíza Alison Nathan já negou três vezes o pedido.

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