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Escócia rejeita independência e continua no Reino Unido

Em plebiscito histórico, população escocesa decidiu prosseguir com união de três séculos. 'Não' à separação venceu disputa por 55,3%, contra 44,7% do 'sim'

Por Da Redação
19 set 2014, 01h37

Os escoceses decidiram continuar o casamento de 307 anos com o Reino Unido e rejeitaram a independência do país em um plebiscito histórico realizado na quinta-feira. Com a apuração finalizada nesta sexta, o placar apontou para uma vitória mais folgada do que aquela prevista nas últimas pesquisas: 55,3% a 44,7%. Ou 2 milhões de votos, contra 1,6 milhão. Dos 32 distritos eleitorais da Escócia, apenas quatro deram a vitória ao “sim”, entre eles Glasgow, a maior cidade do país. A capital Edimburgo votou em peso pelo “não”: 61% a 39%.

O que é o Reino Unido?

Uma das construções políticas e sociais mais bem-sucedidas da história moderna, o Reino Unido foi oficialmente criado em 1707, quando as elites da Escócia abdicaram de sua independência em meio a uma profunda crise econômica que afetou o país e uniram-se à Inglaterra e ao pequeno País de Gales, que já estava há séculos sob controle inglês. A Escócia e a Inglaterra já eram bastante ligadas antes da união oficial. As coroas, por exemplo, haviam sido unificadas um século antes. Com a união, porém, o poder ficou mais concentrado em Londres, com o Parlamento centralizando as decisões sobre os territórios. Desde o final dos anos 1990, mais poderes foram dados às nações menores, mas questões centrais do país como política externa e econômica continuam a ser decididas em Westminster.

Os três países em conjunto são conhecidos como Grã-Bretanha, nome da ilha que abriga os territórios. Ao se falar em Reino Unido está se incluindo a Irlanda do Norte, que fica na ilha vizinha. Oficialmente, o nome do país é Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. O Reino Unido também já foi maior, a partir de 1801, quando passou a incluir a Irlanda que, em 1922, deixou a união e resolveu seguir uma trajetória republicana, deixando apenas uma fatia menor, a Irlanda do Norte, no Reino Unido.

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Repercussão – Diante da frieza dos números, o grande artífice da campanha pelo “sim”, o nacionalista Alex Salmond, reconheceu a derrota antes mesmo do final da apuração. “A Escócia decidiu que, neste momento, não quer se transformar em um país independente e eu aceito esse veredicto”, afirmou na manhã de sexta (madrugada no Brasil), em Edimburgo. O político também elogiou o processo democrático e exaltou a participação de 85% dos escoceses no referendo. Salmond acrescentou que agora vai cobrar do premiê David Cameron e do Parlamento britânico que cumpram a promessa de maior autonomia ao país.

Aliviado com o resultado do plebiscito, Cameron discursou de sua residência oficial em Londres e disse estar contente com a decisão do povo escocês de manter as “quatro nações” unidas. “Agora é o momento de nosso Reino Unido se unir e seguir adiante”, disse ele, garantindo que vai cumprir as promessas de mais poderes à Escócia. Além disso, Cameron defendeu sua postura em permitir a realização do referendo depois da expressiva vitória dos nacionalistas escoceses nas eleições locais em 2011. O premiê disse que não podia bloquear a convocação da consulta porque é um “democrata” e era “correto respeitar” a vontade da população da Escócia. Cameron também admitiu que teria ficado com o “coração partido” em caso de vitória do “sim”. “Sei que este sentimento é partilhado pelas pessoas, não só de nosso país, mas também do mundo.”

Consequências – Com o resultado, o Reino Unido, que corria o risco de perder 32% do seu território, 8% da sua população e 9% do seu PIB, permanece em sua forma atual – o que não quer dizer que as coisas serão iguais daqui em diante. Na tentativa de convencer os escoceses a não optarem pela secessão, o premiê David Cameron e o Parlamento britânico acenaram com uma série de benefícios para o país, como maior autonomia e mais recursos. Com a união alcançada, é natural que a Escócia cobre pelas promessas e, além disso, que os outros membros do Reino Unido – País de Gales e Irlanda do Norte – também pleiteiem os mesmos privilégios.

(Com agência EFE)

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