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Equipes encerram buscas por sobreviventes em prédio que desabou na Flórida

'Apenas baseado nos fatos, há chance zero de sobrevivência', disse o chefe-adjunto dos Bombeiros de Miami-Dade, Ray Jadallah

Por Da Redação 8 jul 2021, 08h45

As equipes de busca e resgate que procuravam sobreviventes nos destroços do prédio que desabou parcialmente em Surfside, arredores de Miami, Flórida, reconheceram pela primeira vez nesta quarta-feira, 7, que não há mais sobreviventes. Por essa razão, as autoridades decidiram começar uma transição de busca e resgate para uma operação de busca e recuperação de corpos.

“Apenas baseado nos fatos, há chance zero de sobrevivência”, disse o chefe-adjunto dos Bombeiros de Miami-Dade, Ray Jadallah, aos familiares dos desaparecidos em uma reunião particular.

Em entrevista coletiva, a prefeita de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, informou que o número de pessoas desaparecidas agora é de 86, enquanto o número de localizadas permanece em 200. Além disso, dos 54 corpos recuperados, 33 foram identificados.

Entre os desaparecidos do desabamento está o menino Lorenzo, de 5 anos, filho de mãe brasileira e pai italiano, também desaparecido.

“Foi tomada a triste decisão de fazer a transição de busca e resgate para recuperação. Estamos cansados, desgastados no momento. Não podemos fazer mais para trazer de volta as pessoas que se foram, mas podemos identificar as vítimas e oferecer em encerramento para as famílias”, afirmou Levine Cava, visivelmente abalada pela tragédia.

Por motivos ainda não determinados, a ala nordeste do edifício Champlain Towers, inaugurada em 1981 e com um total de 136 apartamentos, desabou em poucos segundos na madrugada do dia 24, quando seus moradores dormiam. Os apartamentos disponíveis no prédio são considerados de alto padrão, tem vista para o mar e podem custar até 700.000 dólares (cerca de 3,5 milhões de reais).

Na segunda-feira, os socorristas tiveram um grande impulso, depois que parte do edifício que não havia desabado foi demolida. Com a derrubada, foi possível acessar áreas que até então eram inacessíveis, inclusive quartos onde se espera que moradores estivessem dormindo durante o momento da queda. Mais corpos puderam ser retirados dos escombros e identificados. No entanto, ninguém foi encontrado com vida.

Depois do desabamento, vieram à tona documentos que indicam possível descaso com problemas estruturais. Em março passado, Jean Wodnicki, presidente da associação de condôminos, alertou em carta sobre a “piora significativa” dos danos, que eram visíveis nos pilares da garagem e tendiam a “se multiplicar”. A carta orçava a reforma necessária em 20 milhões de dólares e previa seu início em alguns meses.

Junto com uma inspeção de 2018, que alertou sobre “grandes danos estruturais”, a carta, uma cópia obtida pelo The New York Times, acrescenta a um crescente corpo de evidências de que engenheiros alertaram sobre sérias falhas nos meses de construção e até anos antes da falha catastrófica do edifício. 

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