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Embaixada dos EUA pede que cidadãos deixem o Iraque imediatamente

Ataque aéreo americano ordenado por Trump matou Qasem Suleimani, um dos homens mais poderosos do Irã

Por Da Redação Atualizado em 30 jul 2020, 19h32 - Publicado em 3 jan 2020, 07h37

A embaixada dos Estados Unidos em Bagdá pediu a todos os cidadãos que deixem imediatamente o Iraque, horas depois que os EUA mataram o líder da unidade Quds iraniana Qasem Suleimani e o comandante da milícia iraquiana Abu Mahdi al-Muhandis em um ataque aéreo. Suleimani era considerado um dos homens mais poderosos do país.

“Devido ao aumento das tensões no Iraque e na região, a Embaixada dos EUA pede aos cidadãos americanos que sigam o Aviso de Viagem de janeiro de 2020 e saiam do Iraque imediatamente. Os cidadãos dos EUA devem partir via companhia aérea sempre que possível, e, na sua falta, para outros países via terra”, informou o comunicado.

Um ataque aéreo americano na noite desta quinta-feira, 2, contra um aeroporto de Bagdá, no Iraque, matou Qasem Soleimani, general da Guarda Revolucionária Iraniana. O bombardeio também vitimou Abu Mehdi al-Muhandis, um dos líderes da milícia iraquiana pró-Irã Forças de Mobilização Popular.

Minutos depois do ataque, os Estados Unidos assumiram a autoria da ação. Em nota, o Pentágono afirmou que, sob a direção do presidente Donald Trump, “as forças militares tomaram a decisão por uma ação defensiva de proteger os americanos no exterior ao matar Qassem Soleimani”.

O comunicado acusa o general de estar por trás de ataques que resultaram na morte de centenas de americanos e aliados, incluindo o lançamento de foguete que vitimou um civil americano no Iraque na semana passada e a invasão da embaixada americana em Bagdá. O Pentágono ressalta que o bombardeio busca “deter futuros planos de ataque iranianos”.

“Não há nenhuma dúvida de que a grande nação do Irã e outras nações livres da região se vingarão por este crime horrível dos criminosos Estados Unidos”, afirmou o presidente iraniano, Hassan Rohani.

Para o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamad Javad Zarif, esta é uma “escalada extremamente perigosa e imprudente”. A diplomacia iraniana convocou o embaixador da Suíça, que representa os interesses dos Estados Unidos em Teerã.

O primeiro-ministro iraquiano, Adel Abdel Mahdi, afirmou que o ataque vai “desencadear uma guerra devastadora no Iraque”, ao mesmo tempo que o influente líder xiita iraquiano Moqtada Sadr anunciou a reativação de sua milícia anti-EUA, o Exército de Mehdi, e ordenou que seus combatentes fiquem preparados.

Há vários anos o Iraque se encontra no meio do fogo cruzado entre seus dois grandes aliados: Estados Unidos e Irã.

Em 2003, ao derrubar o regime de Saddam Hussein, Washington passou a controlar as questões iraquianas. Mas Teerã e o movimento pró-Irã se infiltraram no sistema aplicado pelos americanos.

As forças pró-Teerã acumularam um arsenal graças ao Irã, mas também ao longo de anos de combate junto com os americanos, em particular contra o Estado Islâmico. O movimento atacou a embaixada dos Estados Unidos em Bagdá na terça-feira.

Nesta sexta-feira, Washington respondeu à ação contra a embaixada, que fica no centro da ultraprotegida Zona Verde de Bagdá, assim como a semanas de ataques com foguetes contra seus diplomatas e soldados.

Os ataques foram atribuídos pelo governo dos Estados Unidos aos combatentes pró-Irã no Iraque, mas nunca foram reivindicados.

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“Os serviços de inteligência americanos seguiam Qasem (Soleimani) há muitos anos, mas nunca apertaram o gatilho. Ele sabia, mas não calculou até que ponto suas ameaças de criar outra crise de reféns na embaixada (em Bagdá) mudaria as coisas”, explicou à AFP Ramzy Mardini, do ‘Institut of Peace’, recordando o trauma provocado nos Estados Unidos pela tomada de reféns na representação diplomática americana em Teerã em 1979.

“Trump mudou as regras ao eliminá-lo”, disse.

O bombardeio americano teve como alvo um comboio de veículos dentro do perímetro do aeroporto de Bagdá e matou pelo menos nove pessoas, de acordo com fontes das forças de segurança iraquianas.

Além do general Soleimani, a outra figura importante que morreu no ataque foi Abu Mehdi al Muhandis, líder operacional da Hashd al Shaabi e auxiliar do general no Iraque. Os dois serão enterrados no sábado. Iraque e Irã decretaram três dias de luto.

“Sob as ordens do presidente, o exército americano adotou medidas defensivas decisivas para proteger o pessoal americano no exterior ao matar Qasem Soleimani”, afirmou o Departamento de Defesa dos Estados Unidos em um comunicado.

Minutos antes, Trump havia tuitado uma bandeira americana.

Mas as consequências do assassinato seletivo de uma das figuras mais populares do Irã provocaram preocupação entre os congressistas, a menos de um ano das eleições presidenciais nos Estados Unidos.

O Congresso americano não foi informado com antecedências sobre o ataque.

Este bombardeio ameaça provocar “uma perigosa escalada da violência”, advertiu a presidente da Câmara de Representantes, a democrata Nancy Pelosi.

Alta do petróleo

A notícia do ataque provocou uma alta de 4% dos preços do petróleo na Ásia. O petróleo iraniano está submetido a sanções americanas e a crescente influência de Teerã no Iraque, o segundo maior produtor da Opep, gera o temor entre os especialistas de um isolamento diplomático e de sanções políticas e econômicas.

As mortes desta sexta-feira aumentam o temor citado por vários analistas há alguns meses: que o território do Iraque se transforme em um campo de batalha indireto para Irã e Estados Unidos.

Após o bombardeio, um comandante da Hashd pediu a todos os combatentes que “estejam preparados”.

Na praça Tahrir de Bagdá, epicentro dos protestos contra o governo e seu aliado Irã que abalam o país há mais de três meses, dezenas de iraquianos celebraram a morte do general Soleimani. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, compartilhou um vídeo no Twitter de pessoas “dançando pela liberdade”.

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