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Durante pandemia, Pompeo viaja a Israel para discutir anexações palestinas

Secretário de Estado se apressa para discutir os territórios palestinos na esperança de beneficiar Donald Trump na eleição presidencial de novembro

Por Da Redação - 13 May 2020, 18h33

Mike Pompeo, o secretário de Estado dos Estados Unidos, viajou a Israel nesta quarta-feira, 13, para articular-se com o novo governo do premiê Benjamin Netanyahu a respeito da anexação dos territórios palestinos. A visita ocorre em meio à pandemia de coronavírus, que levou os governos, inclusive o dos Estados Unidos e de Israel, a suspender viagens não-essenciais para evitar infecções.

Pompeo passou apenas algumas horas com Netanyahu e Benny Gantz, ex-chefe da oposição que em breve se juntará ao premiê no novo governo. Washington afirmou que a viagem não indicava nenhuma agenda urgente, mas que as autoridades discutiriam “os esforços dos Estados Unidos e de Israel para combater a pandemia de Covid-19, bem como questões de segurança regional relacionadas à ameaça do Irã”. Além disso, Pompeo também alertou país aliado sobre os “riscos” de fazer negócios com a China.

Contudo, em entrevista a um jornal local, Israel Hayom, Pompeo disse que queria atualizar os líderes israelenses “cara a cara” sobre o “Vision for Peace”, o plano de paz do governo de Donald Trump. O documento concede a Israel controle militar total sobre os palestinos, grande parte de suas terras e todos os assentamentos de Jerusalém e Israel. Washington disse que o país pode implementar partes do plano sem o envolvimento dos palestinos. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, repudia o projeto, com o apoio da Liga Árabe.

O ex-embaixador dos Estados Unidos em Israel Daniel Shapiro escreveu no jornal israelense Haaretz que a viagem em meio à pandemia deve-se à pressa para coordenar a anexação, que poderia beneficiar Trump na eleição presidencial americana de novembro. O líder americano tem bases eleitorais judaica e evangélica significativas, para as quais o projeto é “extremamente popular”, segundo Shapiro.

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Enquanto isso, o jornal britânico The Guardian reporta que a União Europeia, contrária à anexação, pode lançar sanções a Israel, caso as realize unilateralmente. Com a formação do governo de unidade, Netanyahu deve apresentar a proposta para discussão após o dia 1º de julho, mesmo com as objeções de Gantz, considerado mais moderado para os padrões israelenses.

 

Estados Unidos são exceção às restrições

A viagem expressa a Israel, que durou apenas algumas horas, foi a primeira de Pompeo em quase dois meses. O secretário de Estado, que desceu do avião usando uma máscara com a estampa da bandeira dos Estados Unidos, e a pequena equipe americana ficaram isentos das restrições estritas contra o coronavírus em Israel, que impõem quarentenas obrigatórias de 14 dias para recém-chegados ao país.

Também na quarta-feira, a polícia israelense prendeu 320 pessoas que decidiram acompanhar um festival judaico que comemora um sábio antigo. Dezenas de pessoas tentaram entrar em uma tumba sagrada no norte do país, violando as restrições do coronavírus. Fiéis se revoltaram e jogaram objetos contra os policiais.

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Embora muitos rabinos tenham apoiado as medidas de Israel para conter a propagação do vírus, alguns judeus ultraortodoxos se irritaram com a interrupção dos ritos religiosos.

(Com Reuters)

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