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Documentarista brasileira é presa antes de protesto na Nicarágua

Emilia Mello e outras 18 pessoas viajavam para Granada, para participar de passeata contra o governo; polícia local não se manifestou sobre prisões

Uma documentarista brasileira, seus dois colegas nicaraguenses e pelo menos 16 universitários foram detidos neste sábado, 25, pela polícia da Nicarágua, quando se dirigiam à cidade colonial de Granada, para participar de uma passeata contra o governo.

A brasileira Emilia Mello e os documentaristas nicaraguenses Arielka Juárez e Ronny Cajina, além dos estudantes, foram detidos na estrada de San Marcos, no departamento de Carazo. Eles viajavam para Granada, onde está sendo realizada uma marcha antigovernamental, informou a Coordenadoria Universitária pela Democracia e a Justiça (CUDJ), que faz parte da opositora Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia, a contraparte do governo no diálogo para solucionar a crise nacional.

A Polícia Nacional da Nicarágua ainda não se manifestou sobre as prisões.

A CUDJ publicou na sua página do Facebook o momento em que o grupo foi retido e teve os pertences revistados por agentes policiais.

“Condenamos a detenção ilegal e exigimos sua libertação imediata”, afirmou a coordenadoria.

Protestos contra Ortega

Desde o último mês de abril, milhares de nicaraguenses saem às ruas para protestar contra o presidente Daniel Ortega, no marco de uma crise que deixou entre 322 e 448 mortos, segundo organismos humanitários internacionais e locais, enquanto o governo reconhece 198 mortos e denuncia uma tentativa de golpe de Estado.

As manifestações contra Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, começaram devido a fracassadas reformas da seguridade social e se transformaram em um movimento que exige a renúncia do presidente, depois de onze anos no poder, em meio a acusações de abuso e corrupção.