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Dilma responde carta de deputada iraniana sobre Sakineh

Ela diz que Direitos Humanos são prioridade na política externa brasileira

Por Da Redação 18 jan 2011, 15h55

A presidente Dilma Rousseff respondeu nesta terça-feira, por meio de uma nota, a carta que lhe foi enviada pela deputada Zohreh Elahian, presidente do Comitê de Direitos Humanos da Assembleia Consultiva do Irã, sobre a situação de Sakineh Mohammadi-Ashtiani. A iraniana é acusada de adultério e de envolvimento na morte de seu marido.

Dilma elogiou a disposição da deputada em realizar um “amplo intercâmbio de opiniões” e sugeriu a manutenção dos diálogos por meio das comissões de Direitos Humanos do Congresso Nacional.

A presidente reiterou ainda a disposição de continuar conferindo à questão dos Direitos Humanos “um lugar central” na política externa brasileira, “sem seletividade e tratamento discriminatório”. O texto também cumprimenta a parlamentar sobre seu interesse em contribuir para um “diálogo construtivo entre os dois países sobre temas bilaterais e multilaterais”.

Histórico – A deputada Zohre havia enviado a carta nesta semana à presidente Dilma, informando que Sakineh não deve mais ser executada. Segundo a deputada, “embora o processo de pena de morte por apedrejamento não tenha chegado ao final, a condenação de enforcamento está suspensa pelo perdão” da família de seu marido. O texto porém, escrito em farsi, não deixa claro se a decisão é final.

Pouco depois da divulgação da carta, no entanto, o procurador-geral e porta-voz do Judiciário do Irã, Gholan Husein Mohseni Ejei, desmentiu as informações de Zohre. Sakineh recebeu as duas sentenças, mas diante de uma grande mobilização internacional, aguarda presa no corredor da morte que o regime dos aiatolás resolvam seu destino.

Sakineh – A iraniana, de 43 anos, foi condenada em 2006 por manter “relações ilegais” com dois homens depois da morte de seu marido. Depois, a sentença de apedrejamento foi suspensa temporariamente e o Irã decidiu que ela deveria ser enforcada, sob a acusação de ter sido cúmplice no homicídio de seu marido. A repercussão por todo o mundo fez com que a República Islâmica mantivesse o caso sem uma conclusão.

Sakineh está detida em Tabriz e, como o caso é mantido em sigilo pelo governo de Mahmoud Ahmadinejad, muitos boatos rondam o drama da iraniana. Em dezembro passado, ela deixou a prisão para participar da reconstituição do crime. Na ocasião, a imprensa chegou a noticiar que ela havia sido libertada – o que foi desmentido pela TV local em seguida.

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