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Desvio de equipamento médico pelos EUA é ‘fake news’, diz novo embaixador

Em sua primeira coletiva no Brasil, Todd Chapman admitiu ainda a possibilidade da suspensão dos voos do território brasileiro para os Estados Unidos

Por Julia Braun - Atualizado em 7 Apr 2020, 13h02 - Publicado em 7 Apr 2020, 12h51

O novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, afirmou em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, 7, que Washington não desviou ou bloqueou a compra de equipamentos médicos destinados ao combate do coronavírus no país, e que tais acusações não passam de “fake news”. O diplomata admitiu ainda a possibilidade da suspensão dos voos do Brasil para o território americano, diante da pandemia de Covid-19.

“Eu quero deixar bastante claro que o governo dos Estados Unidos não comprou nem bloqueou nenhum material ou equipamento médico da China destinado ao Brasil”, disse, na coletiva realizada por videoconferência. “Os relatórios encontrados são completamente falsos”.

“Eu sei que há muitas fake news por aí de pessoas dizendo que isso está acontecendo, mas já investigamos e não está”, afirmou ainda. “O que está ocorrendo é que muitos fornecedores estão jogando, querendo vender para lá e depois vender para cá, mas nossos oficiais de Justiça estão tentando prevenir isso, porque é contra a lei americana”.

Na semana passada, o ministro Luiz Henrique Mandetta informou que diversas compras de equipamentos de proteção individual para profissionais da saúde, a exemplo de máscaras e luvas, não foram concluídas após os Estados Unidos adquirirem da China grandes quantidades de produtos transportados em 23 aviões cargueiros.

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O ministro da Saúde disse que “essa é uma das nossas fragilidades”. Mandetta afirmou que situação parecida ocorreu com a compra de respiradores.

O governador do Amazonas, Wilson Lima, também se queixou da dificuldade do Brasil em concorrer com países como os Estados Unidos, na compra destes equipamentos vindos da China. Sobre a questão, Chapman afirmou não querer criar “uma conversa virtual” com governadores. “Se há qualquer outra preocupação, mande para nós e com muito prazer podemos investigar”, disse.

Todd C. Chapman foi indicado pelo presidente Donald Trump em outubro de 2019 e chegou ao país em 29 de março. O diplomata viveu no Brasil durante a infância e atuou como embaixador no Equador de 2016 a 2019. 

Chapman foi recebido pelo presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto nesta segunda-feira 6, em uma cerimônia de entrega de cartas credenciais a 10 embaixadores recém-chegados ao Brasil. 

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Suspensão de voos

Durante a entrevista, Todd Chapman ainda admitiu ainda a possibilidade da suspensão dos voos do Brasil para o território americano, diante da pandemia de Covid-19. Ao ser questionado sobre a questão, disse que “é sempre algo que meu governo está analisando bem”.

“Isso é uma coisa que sempre vai ser analisada e que vamos conversar”, disse. “Mas é algo importante para proteger o nosso país, assim como é importante para o Brasil proteger seu país. O que eu posso dizer é que sempre estamos sempre em conversa com as autoridades brasileiras”.

Na semana passada, o presidente Donald Trump disse que considera suspender os voos do Brasil que chegam aos Estados Unidos para tentar conter o avanço da pandemia. “O Brasil não tinha problema até há pouco tempo. Agora os números estão subindo e, sim, estamos considerando um veto [de viagens]”, afirmou Trump na Casa Branca.

China

O embaixador americano também tratou das disputas entre os Estados Unidos e a China que têm respingado no Brasil, como é o caso da tensão em relação à empresa chinesa de telecomunicação Huawei. A companhia busca implantar sua rede móvel 5G em território mundial, mas Washington alega que a tecnologia e a proximidade da empresa com o governo chinês representam uma ameaça à segurança nacional nas nações que a adotam.

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Os Estados Unidos já avisaram que deixarão de “compartilhar informações” com países que permitem o uso de tecnologia da Huawei em sistemas de comunicação. Em novembro, executivos da empresa se reuniram com o presidente Jair Bolsonaro.

Questionado sobre a questão, o diplomata americano afirmou que toda nação deve “avaliar exatamente como vai fazer sua politica exterior”. “São assuntos complicados que cada nação tem que trabalhar para o beneficio próprio”, disse.  Segundo Chapman, o governo de Donald Trump presa por princípios como liberdade de expressão, imprensa e democracia, mas negocia com a China e outras nações para a manutenção de uma relação comercial prática e recíproca.

“Acho que o Brasil também está avançando seus interesses comerciais de forma bem prática e pragmática, e isso é normal”, disse. “E vamos conversar sobre 5G, vamos conversar sobre muitos temas em que nós temos nosso próprio ponto de vista sobre privacidade, sobre setor privado e este ser controlado pelo governo”.

Segundo o diplomata, Washington luta para que as nações atuem de acordo com as regras da comunidade internacional e que cumpram com os acordos firmados. “Quando não, o presidente Trump e o meu país está exigindo reciprocidade, especialmente nas relações comerciais”, disse.

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Todd Chapman foi questionado ainda sobre a possibilidade da China usar a produção de equipamentos médicos e máscaras para ganhar influência geopolítica durante a crise global causada pelo coronavírus. “Eu não vejo assim”, respondeu.

“Acho que esse é um momento de todos nós trabalharmos em conjunto”, disse. “Por isso nós vamos trabalhar aqui no Brasil e no mundo todo para extinguir o fogo dessa doença. Nós estamos orgulhosos de tudo que fizemos para apoiar o mundo todo em várias situações como essa e vamos continuar a trabalhar assim na América Latina e no mundo”.

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