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De luto, país investiga as causas

Por Guilherme Amorozo
21 ago 2008, 16h06

Com agência France-Presse

As investigações para determinar as causas e as responsabilidades do acidente com avião da Spanair, que deixou 153 mortos no aeroporto de Madri, foram iniciadas nesta quinta-feira em uma Espanha consternada com a pior catástrofe aérea nos últimos 25 anos no país. O governo espanhol prometeu que a comissão de investigação atuará com a maior diligência possível, uma vez que as caixas pretas já foram encontradas.

Serão necessários dois dias para identificar os corpos dos 153 mortos no acidente do avião MD-82, que se incendiou na quarta-feira durante a decolagem no aeroporto de Barajas, anunciou a ministra espanhola do Desenvolvimento, Magdalena Alvarez. “Até agora, estão sendo identificados pelas impressões (digitais). Alguns casos precisarão de exames de DNA”, declarou.

As testemunhas dos serviços de resgate afirmaram à imprensa espanhola terem visto os corpos totalmente carbonizados depois do incêndio do avião, cujos tanques estavam cheiros de combustível. Dos 19 sobreviventes atendidos nos hospitais da região, quatro se encontram em estado muito grave, seis em estado grave e oito em observação, mas com evolução favorável.

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Problema ¿ Alvarez afirmou ainda que os técnicos da Spanair autorizaram a decolagem do MD-82 mesmo depois de o piloto ter detectado um problema. “Em uma primeira tentativa, o piloto saiu, voltou porque detectou algo, este algo tem que ser dito pela comissão de investigação”, disse Alvarez à Rádio Nacional. “O pessoal da manutenção da própria empresa autorizou a partida do avião, assumindo a responsabilidade que tem exatamente ao fazer uma revisão quando o comandante adverte para qualquer tipo de incidência na aeronave”, afirmou.

Consultada sobre uma eventual negligência da companhia na manutenção de seus aviões, afirmou: “Não me atreveria a dizer (que a Spanair se descuida na segurança de seus aviões)”. “Serão principalmente as caixas pretas que nos permitirão identificar quais foram as causas” do acidente, prosseguiu. Os olhares acusadores, no entanto, estão voltados para a Spanair, segunda companhia aérea espanhola, filial do grupo escandinavo SAS, que atravessa dificuldades e acaba de anunciar a demissão de quase 25% de seus efetivos.

Repercussão ¿ A imprensa espanhola destacou nesta quinta-feira “o inferno” vivido na quarta no aeroporto de Madri. “Inferno em Barajas” foi a manchete de capa do jornal Público e dos catalães El Periódico e La Vanguardia. O jornal El Mundo atribuiu à crise atravessada pela Spanair a responsabilidade pelo desastre.

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Em seu editorial, intitulado “Fatídica coincidência ou negligência criminosa?”, o El Mundo apontou que “na inspeção técnica pode ter havido um erro fatal”, referindo-se à autorização de decolagem dada pelos técnicos depois terem inspecionado um problema detectado pelo piloto. “Os pilotos (da Spanair) haviam denunciado que trabalham no limite de sua capacidade, com horários abusivos e que faltam tripulantes e pessoal de manutenção para fazer frente à intensa atividade da companhia em agosto”, acrescentou o El Mundo. O maior jornal da Espanha, o El País, destacou também em sua capa o “problema técnico” que atrasou em uma hora a decolagem do avião.

O vôo JK 5022 da Spanair, compartilhado com a companhia alemã Lufthansa, faria a rota Madri-Las Palmas, no arquipélago das Canárias. A tragédia ocorreu nesta quarta-feira às 14h45 (09h45 de Brasília) durante a decolagem do avião, que em seguida pegou fogo, causando a morte de 153 pessoas e deixando 19 feridos, no maior acidente aéreo da Espanha em 25 anos.

Sobrevivente ¿ De acordo com as primeiras informações, ainda não confirmadas, um dos motores do avião que faria o vôo JK 5022 para Las Palmas, nas Ilhas Canárias, pegou fogo durante a decolagem. “Quando levantei a cabeça, só vi corpos espalhados por todos os lados, em meio à fumaça”, contou Ligia Palomino, uma das 19 sobreviventes, em uma entrevista concedida ao El País. “Ouvi um ruído horrível e saí correndo”, acrescentou esta médica, que ficou semi-consciente durante um tempo depois do impacto, e só despertou após a explosão dos tanques de combustível do aparelho. Ligia Palomino teve queimaduras e cortes superficiais no rosto e foi operada por causa de uma fratura do fêmur esquerdo.

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