Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Conflito no leste da Ucrânia deixou quase 6.500 mortos

Crescem evidências, mesmo ainda sem provas legais conclusivas, de envolvimento russo

O conflito no leste da Ucrânia deixou pelo menos 6.417 mortos e 15.962 feridos, segundo o último relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos apresentado nesta segunda-feira. Estes números são estimativas do Alto Comissariado e da Organização Mundial da Saúde (OMS), e contabilizam as vítimas desde meados de abril de 2014 até 30 de maio de 2015. “Isto é uma estimativa conservadora e os números reais poderiam ser maiores”, indica o texto.

Uma autoridade sênior dos direitos humanos da ONU afirmou que estão crescendo as evidências de envolvimento russo no conflito, mesmo ainda sem provas legais conclusivas. “Estamos falando sobre um crescente fluxo de combatentes e crescentes evidências de que ainda existem alguns soldados [russos] envolvidos no combate”, disse o secretário-geral assistente para Direitos Humanos, Ivan Simonovic, durante entrevista coletiva nesta segunda em Genebra.

LEIA TAMBÉM:

Ucrânia acusa russos de violar acordo e invadir seu território

Otan confirma entrada de militares russos na Ucrânia

Rússia envia mais de 30 tanques para o leste da Ucrânia

A Rússia nega acusações de que estaria apoiando rebeldes pró-Rússia com armas e tropas. Em maio, autoridades da ONU entrevistaram dois russos capturados no leste ucraniano. Ambos acreditam que deveriam ser tratados como soldados capturados, mas a Rússia diz que ambos são ex-soldados que deixaram o Exército e atuam como mercenários. “É muito difícil provar se eles são soldados ou não”, disse Armen Harytyunyan, chefe da missão de monitoramento de direitos humanos da ONU na Ucrânia.

Caso seja provada a participação de Moscou na guerra, a Rússia poderia sofrer acusações de crimes de guerra e prováveis julgamentos no Tribunal Criminal Internacional. A crise ucraniana, iniciada há quase um ano com um movimento de protesto pró-Europa reprimido com violência e que provocou a queda do então presidente pró-Rússia Viktor Yanukovitch, motivou o pior momento nas relações entre Moscou e os países ocidentais desde o fim da Guerra Fria.

O relatório da ONU também indica que apesar de ter havido uma diminuição dos bombardeios após o frágil cessar-fogo entre Kiev e os rebeldes separatistas que está em vigor desde fevereiro, os bombardeios não pararam completamente. Também não cessaram as hostilidades entre as Forças Armadas ucranianas e os grupos armados pró-Rússia. “As vítimas por causa de minas terrestres e outros tipos de artilharia ainda são consideráveis”, diz o documento. Além disso, os especialistas denunciam que foram detectadas “sérias violações aos direitos humanos”, intimidação e ameaças contra a população local realizadas pelos grupos armados. “A missão de investigadores recebeu novas alegações de assassinatos, tortura, maus tratos, assim como casos de detenção arbitrária, trabalho forçado, saques e extorsão nos territórios controlados pelos grupos armados”, informa o documento.

LEIA MAIS:

Presidente diz que Ucrânia trava “guerra de verdade” contra a Rússia

Rússia reconhece eleição separatista no leste ucraniano

Pior bombardeio em um mês no leste da Ucrânia coloca cessar-fogo em xeque

O próprio alto comissário, Zeid Ra’ad al-Hussein, citado em comunicado , denunciou o alto preço pago pelos civis neste conflito. “Documentamos relatórios alarmantes sobre execuções sumárias por grupos armados, e estamos investigando alegações similares contra as forças armadas ucranianas”, assinala Zeid. “Também temos relatos horrorosos sobre torturas e maus tratos de detidos, realizadas tanto pelos grupos armados como pelas Forças Armadas ucranianas”. O relatório dá ênfase ao impacto de longo prazo que o conflito terá na população local. E alerta, além disso, que foi detectado um “preocupante aumento do risco de tráfico de pessoas”. O texto lembra que os cidadãos que residem no leste do país estão cada vez mais isolados e sofrem com as consequências da decisão do governo de privá-los dos serviços sociais básicos.

(Da redação)