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Como acabar com a violência?

Por Guilherme Amorozo
17 Maio 2008, 21h46

O sociólogo Hugo Acero (foto), que foi secretário de Segurança de Bogotá, capital da Colômbia, por três administrações municipais consecutivas, é autor de uma façanha e tanto: entre 1995 e 2003, conseguiu reduzir em 70% a taxa de homicídios daquela que era então uma das cidades mais violentas do mundo. O número de assassinatos em Bogotá, no período, caiu de oitenta a cada 100.000 habitantes para 23 a cada 100.000 habitantes. Hoje, é de dezoito por 100.000.

Acero, atual consultor de segurança do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), concedeu uma entrevista a VEJA, publicada na edição desta semana da revista. Segundo ele, o sucesso do programa que coordenou se deveu, principalmente, ao fato de aliar medidas de repressão a iniciativas de desenvolvimento social. Leia trecho:

A fórmula de Bogotá – Reduzimos drasticamente a violência em Bogotá aliando a aplicação de medidas de repressão aos criminosos a iniciativas de desenvolvimento social das áreas onde eles atuavam. Na esfera repressiva, a principal ação foi investir na polícia: compramos veículos novos, equipamos os policiais com rádios, organizamos cursos de capacitação e construímos 181 unidades menores que, distribuídas de forma racional pela cidade, ajudaram a agilizar o atendimento à população e a evitar que houvesse áreas sem policiamento.

Fizemos tudo isso com base no diagnóstico da própria polícia de que grande parte das dificuldades para controlar a criminalidade em Bogotá se devia à falta de infra-estrutura. A essas ações coercitivas, juntamos as medidas sociais: asfaltamos ruas, aumentamos a iluminação, recuperamos praças, construímos escolas e postos de saúde nas áreas mais afetadas pela criminalidade. Aos delinqüentes, as autoridades deixavam muito clara a seguinte mensagem: “Nós não vamos sair daqui”. E aos cidadãos: “Estamos aqui para melhorar a vida de vocês”.

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Lei seca – Sou da opinião de que o controle dos horários dos estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas é uma medida altamente eficaz para reduzir a violência. Em 1995, definimos que os bares e casas noturnas de Bogotá tinham de fechar à 1 da manhã. Em um ano, reduzimos o número de homicídios em 8%. O de mortos em acidentes de trânsito diminuiu 15% e o de feridos caiu 11%.

Tomamos a medida com base em duas constatações: uma era que a polícia, da meia-noite às 6 da manhã, gastava quase todo o seu efetivo para atender a problemas relacionados a embriaguez: brigas entre pessoas alcoolizadas, bêbados que não pagavam contas em bares, tumultos que atrapalhavam o sono da vizinhança etc. Com isso, não conseguia atender a ocorrências mais graves. A segunda era que havia estreita relação entre o consumo excessivo de álcool e a quantidade de mortes e ferimentos no trânsito. Funcionou. A partir de 2002, estendemos o horário de fechamento dos bares para as 3 horas, e assim é até hoje.

Na íntegra da entrevista, Acero diz também o que é preciso para garantir que a lei seja aplicada aos criminosos, e compara a violência social do Brasil com a da Colômbia (o link é exclusivo para assinantes).

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