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Comandante da Marinha da Ucrânia passa para o lado russo

Denis Berezovsky, que havia sido nomeado para o cargo no sábado, anunciou fidelidade para autoridades separatistas da Crimeia

Por Da Redação - 2 mar 2014, 16h37

O comandante Marinha da Ucrânia, almirante Denis Berezovsky, anunciou neste domingo sua deserção oficial e a adesão às autoridades pró-Rússia da Crimeia, durante uma entrevista coletiva em Sebastopol, agravando a situação na região.

“Juro cumprir as ordens do comandante-em-chefe da República Autônoma da Crimeia”, declarou Berezovski em um vídeo divulgado por canais de TV da Rússia. Ele estava há apenas um dia no cargo, tendo sido designado no sábado pelo presidente interino da Ucrânia, Aleksander Turchinov.

Na mesma coletiva, o premiê pró-Rússia da Crimeia, Sergei Aksionov, saudou o que chamou de “acontecimento histórico”, e assinalou que o almirante Berezovski aceita se colocar “sob o comando das autoridades legítimas da península”.

Poucas horas antes do anúncio, soldados russos invadiram a sede da Marinha Ucraniana em Sebastopol. Yuri Ilyn, um almirante que conseguiu deixar o local, disse à rede BBC que os oficiais que ficaram eram “reféns da situação”.

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Inicialmente, o governo ucraniano negou a decisão de Berezovski, mas poucos minutos depois, quando o almirante apareceu na TV russa, anunciou sua demissão e a abertura de um processo por traição. Um substituto, o almirante Serhiy Hayduk, foi nomeado para o seu lugar, anunciou o governo interino da Ucrânia.

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A marinha ucraniana tem cerca de dez navios de guerra e 15 000 homens. Ainda não está claro quantos navios e marinheiros passaram para o lado russo. Uma guerra de versões envolve um navio de guerra que está em Creta. Segundo o governo provisório da Ucrânia, o navio permanece leal. Já agências russas e membros do governo da Crimeia afirmam que ele desertou.

Jornais russos têm divulgado ao longo do dia informações sobre deserções em massa do exército ucraniano conforme a tensão na região aumenta. Os relatos são negados por Kiev.

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Na região também está situada a base da frota russa do Mar Negro, construída na era soviética e que permaneceu no local mesmo após o fim do regime comunista.

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Crise – Kiev está perdendo o controle da Crimeia, uma república autônoma ucraniana de 27 mil quilômetros quadrados e 2 milhões de habitantes, a maioria de língua russa, e onde milhares de soldados russos bloqueavam hoje militares ucranianos em suas casernas. A província também está sendo comandada efetivamente pelo Parlamento local, que já convocou um referendo para consultar a população local sobre o status da região.

Mais cedo, homens armados tomaram instalações da marinha ucraniana na Crimeia. Na região também está situada a base da frota marítima russa do Mar Negro, construída na era soviética e que permaneceu no local mesmo após o fim do regime comunista.

A tensão nesta região aumentou desde a destituição, há 10 dias, do presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, um aliado de Moscou. Desde a sexta-feira o governo ucraniano vem denunciando a presença de tropas russas na região. Segundo Kiev, 15 000 soldados chegaram a Ucrânia nas últimas horas.

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(Com agência EFE e France-Presse)

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